Na (indesejada) hora de demitir, as empresas precisam estar muito atentas a questões como favoritismos, puxa-saquismos e outros “ismos”

Trabalho com capital humano e sei o quanto é importante reconhecer os talentos que temos em casa. Infelizmente, algumas empresas mais retrógradas não agem como se as pessoas que nelas trabalham fossem, de fato, o maior bem da organização. Ora, é uma questão lógica: para que uma empresa progrida, é necessário que ela produza – sejam produtos ou serviços. Por mais que a tecnologia esteja a todo o vapor, essa infinidade de máquinas que toma conta das companhias vêm única e exclusivamente para aprimorar o trabalho humano, tornando-o mais ágil e próximo da perfeição. Afinal, por trás de uma grande máquina, há sempre um grande homem.
É por saber da necessidade de reconhecer o trabalho dos colaboradores, que surgiram ao longo do tempo diversas leis e formas de defender os interesses dos trabalhadores. Não são nesses méritos que pretendo entrar. O enfoque aqui são as questões práticas do dia-a-dia, onde os gestores pecam por não saber lidar com questões comportamentais e, consequentemente, com os preceitos para reconhecer os talentos de suas próprias organizações.
A questão que tomei como exemplo é apenas uma de tantas situações em que uma empresa simplesmente apaga de sua memória tudo o que um dia determinado profissional fez por ela. Demissões, às vezes, são extremamente necessárias. Mas por que escolher justamente um profissional com tantos anos de prática naquilo que faz, que conhece cada código da cultura organizacional e que jamais deu motivos para sair? Como empresário, reconheço que nenhuma empresa gosta de demitir. Pelo contrário: cortes só são feitos em último caso e, quando necessários, é preciso pesar inúmeras circunstâncias ao passo de escolher a melhor (ou pior, depende do ponto de vista) opção.
É importante estar atento para questões como favoritismos, puxa-saquismos e outros “ismos”. Eles fazem com que profissionais muitas vezes nem tão bons se tornem pupilos dos chefes por simplesmente ceder a caprichos. Do que as empresas precisam, afinal? De colaboradores que vivem pulando nos buracos que seus chefes pedem e deixando seus trabalhos de lado ou de pessoas com alto grau de comprometimento, que exercem suas funções com maestria e apresentam resultados reais? Fico indignado ao ver que são os bajuladores acabam vingando em muitas empresas. São essas pessoas que, na maioria das vezes, não são cogitadas para sair e ainda ganham os maiores salários.
Num tempo em que os talentos são cada vez mais cultuados e – aparentemente – reconhecidos pelo mercado, ainda existe uma grande parcela de pessoas que precisam lidar com os problemas como as injustiças já citadas. Infelizmente, a única forma de modificar uma mentalidade arcaica é justamente fazendo com que os gestores (os ruins, pois os bons já entendem isso) percebam que, quanto mais priorizarem os profissionais medianos, menos terão profissionais realmente eficazes em suas equipes. O fato principal que impede que eles enxerguem isso é a visão deturpada do que é, de fato, um profissional eficiente.
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Comentários
Os talentosos as vezes incomodam um pouco e são preteridos pelos bajuladores e os antigos da casa