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segunda-feira, 04 de outubro de 2010
Crie nos momentos ociosos

Chega uma hora em que é necessário desligar os neurônios para que eles voltem a processar tudo de maneira regular. Mas admito que existem pessoas que tiram proveito dessa história para não fazer absolutamente nada



Ninguém – absolutamente ninguém – consegue fazer ao longo de muito tempo algo com a mesma qualidade com a qual fazia lá no começo. Seja qual o for tipo de trabalho (estratégico ou operacional), ao longo do dia todos precisam parar tudo e fazer algo diferente para espairecer. A isso, e dado o nome de "ócio criativo". A palavra “ócio” denota descanso ou o tempo de pausa de um determinado trabalho. Porém, quando seguida da palavra “criativo”, passa a identificar uma prática bastante comum nas organizações. Em suma: é aquele momento em que você não está de fato executando seu trabalho, mas mesmo que não aparente está num momento de criação de ideias pertinentes.

Em minha empresa, por exemplo, o local preferido pelos meus funcionários para exercer o ócio criativo é a copa, onde sempre tem um delicioso cafezinho. Quando cansados de executar suas tarefas incessantemente, os colaboradores vão à cozinha para trocar algumas palavras com quem lá já está. Ou apenas para observar o horizonte. Conheço algumas empresas que chegam a montar locais apropriados para isso, como salas equipadas com confortáveis poltronas, redes e até tatames para a famosa sesta. Até mesmo em empresas mais informais existem locais equipados com jogos de tabuleiro ou videogames à disposição dos funcionários.

Não nego que é extremamente importante esse momento. Se as nossas mentes ficam cansadas, dificilmente conseguimos nos doar de forma satisfatória ao trabalho. Chega um momento em que é necessário desligar os neurônios para que eles voltem a processar tudo de maneira regular. Mas admito que existem pessoas que tiram proveito dessa história para não fazer absolutamente nada – pelo simples fato de não estarem dispostos naquele momento. Ora, se você está no trabalho, deve trabalhar. É uma questão óbvia. Por isso, me preocupo com o modo com que, tanto empregadores como empregados, veem essa questão.

O ideal é criar a cultura dentro da empresa. Mesmo porque, se a empresa oferece um cantinho do descanso, não tem porque ninguém se zangar quando um dos funcionários estiver ali por um tempo descasando. Como diria o comentarista de futebol, "a regra é clara". A partir do momento em que se deixam tudo em pratos limpos, fica claro para todos que o uso daquele espaço é permitido – desde que moderadamente. Cada empresa escolhe a melhor forma de utilização de seus espaços e ferramentas. Cabe a ela, portanto, defini-las e informar aos colaboradores sobre isso.
Última atualização em terça-feira, 05 de outubro de 2010
 

Comentários 

 
0 #2 2010-10-05 17:04
Realmente, é das coisas mais acertadas. É como a estória do lenhador que quanto mais trabalhava, menos produzia, pois nunca parava para afiar seu machado. Ocupar-se apenas, sem permitir a nossa mente, o necessário espaço, é um convite certo para aniquilar a produtividade, a criatividade e a qualidade.
Tempos atrás escrevi uma matéria a respeito da divisão e otimização do tempo diário, com trabalho, estudo, lazer, etc, que combinandos entre si melhoram efetivamente o que fazemos e quem somos.
A íntegra está no link:
http://cwconnect.computerworld.com.br/zenta/2009/08/27/o-conceito-70-20-10-do-google
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0 #1 2010-10-05 14:20
Sobre esse assunto sugiro como leitura "O futuro do Trabalho" de Domenico de Masi.
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