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quinta-feira, 12 de julho de 2012
Religião no trabalho pede discrição

É preciso aprender a lidar com as diferentes opiniões e crenças que ajudaram a compor a rica diversidade étnica, cultural e histórica brasileira

Alguns séculos atrás a influência e o poder que a religião tinha sobre a sociedade era muito maior do que atualmente. A fé na cultura de nosso país ainda pode ser considerada fervorosa, sobretudo em algumas regiões e, como profissionais e seres humanos maduros, é preciso aprender a lidar com as diferentes opiniões e crenças que ajudaram a compor a rica diversidade étnica, cultural e histórica brasileira. Pode parecer até simplório demais falar sobre isso, mas por ter presenciado sérios casos de desrespeito deste tipo, realmente lamento e repudio este comportamento. Prosseguindo, no ambiente de trabalho as exigências sobre o comportamento são maiores que fora dele, e é onde tensões costumam aparecer com maior intensidade. Não é minha intenção fazer apologia ou crítica a qualquer fé - minha convicção guardarei para mim -, mas acredito ser importante abordar os cuidados que todos devemos ter em relação à interferência da religião no meio corporativo.

religiaoetrabalho350A variedade de crenças no Brasil é enorme, porém temos conceitos como respeito, tolerância e igualdade que protegem a boa convivência. Boa parte das pessoas demonstra sua fé ou em locais de adoração ou em silêncio, mas no trabalho torna-se complicado o ato da manifestação porque pode trazer pontos negativos para a imagem da pessoa que executa esta demonstração, além de dar a possibilidade a outras pessoas para comentar a respeito. Por mais que tentemos evitar, os seres humanos estão sujeitos a criar juízos de valor sobre aqueles com quem convivem, em maior ou menor grau. É isso que, combinado ao nível de tolerância e fervor de outras pessoas, geralmente propicia o ambiente perfeito para o aparecimento de atritos. E apesar de a política de aceitação e convivência pacífica ser bastante disseminada no Brasil, há exceções.

Vale lembrar algumas pequenas atitudes que podem impedir que nos coloquemos em situações delicadas, as famosas saias justas. Recomendaria aos praticantes de qualquer religião que evitem qualquer tipo de manifestação ou comentário a respeito do assunto enquanto estão na empresa. Além disso, piadas sobre o assunto também têm um sério risco de serem mal interpretadas. Decorar a mesa com bibelôs, estatuetas ou adesivos que representem a crença também pode gerar abertura para que virem tema de conversas e originem desentendimentos. Mesmo quando estiver com um colega da mesma religião, procure não discorrer muito sobre o assunto. Sempre tento levar em consideração a famosa tríade “que não deve ser discutida”: política, futebol e religião. Pelo menos a terceira, no ambiente corporativo, poderia ser levada mais a sério. E falando em discutir, considerando a natureza comportamental de algumas pessoas, provocações por vezes são comuns, e não devem ser rebatidas ou aceitas.

Por fim, procure deixar o exercício da fé para os locais de adoração, em casa ou em momentos mais reservados: afinal de contas, no horário útil, se há algo que deve ser realmente “venerado”, é o próprio trabalho.
 

Comentários 

 
0 #1 Hermann 2012-07-15 23:42
Belo artigo, apesar de os fundamentalista s ignorarem estas regras de etiqueta.
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