Um exemplo de como a falta de ações pode estimular o medo da demissão

Já vi, ouvi e vivi tantas histórias diferentes no meio corporativo, mas, mesmo após décadas de profissão, continuo a me surpreender com algumas. Esses tempos atendi uma profissional que queria falar desesperadamente comigo. Ela tinha recém entrado em uma empresa e estava em uma situação delicada. Como não havia vagas disponíveis no setor em que ela havia sido contratada, um cargo novo foi criado somente para ela.
Após as fases de integração e, ao conhecer sua futura estação de trabalho, imediatamente uma das supervisoras do setor ficou assustada. Ela, que já tinha alguns anos de casa, pensou que estava chegando sua hora, se sentiu intimidada pela presença desta nova colega e pensou que seu emprego estava com os dias contados para que ela fosse substituída pela nova pessoa.
Mas, ora coisas, ela havia sido contratada para executar atividades diferentes das da coordenadora, e sua presença ali, aos poucos, iria melhorar e diluir o volume de trabalho dos colegas, uma vez que uma de suas incumbências era remodelar e atualizar os processos do setor todo – uma grande responsabilidade.
Ainda assim, intimidada e ofendida, começou a plantar e sabotar o trabalho dos colegas. Adulterou o cartão ponto dos colegas (que ao fim do mês descobriram a farsa), pediu ao RH a demissão de uma subordinada como se a ordem fosse repassada do diretor (desmentida por ele próprio), sabotou os arquivos de trabalho da colega nova e excluiu alguns outros, dizendo que haviam sido roubados por ela (desmentidos pela TI).
Inveja, dor de cotovelos, desconfiança, insegurança, paranoia, não era possível saber o que exatamente se passava pela cabeça da moça, talvez fosse tudo isso e mais algumas outras coisas. Mas algumas coisas são certas: certamente ela sabia que estava dando poucos resultados à empresa, caso contrário não teria medo de ser demitida; segundo, ela definitivamente não sabe o que significa trabalho em equipe, uma pena; terceiro, ela nem havia entendido completamente os afazeres da nova colega, mas sentiu seu “território” invadido.
Orientei-a para que, enquanto nenhuma decisão fosse tomada pela diretoria, ela focasse exclusivamente no trabalho para o qual havia sido contratada. Fosse sabotada ou não, os resultados trazidos por ela é que seriam decisivos na hora de acreditarem em alguma das farsas ou não, mesmo porque os colegas estariam de prova do esforço da moça. As atitudes fraudulentas, dignas de demissão por justa causa, cedo ou tarde seriam descobertas (como de fato aconteceu).
Não preciso dizer que, após duas semanas de artimanhas como essas (que tentavam incriminar a nova integrante do grupo), todas descobertas pela diretoria e tendo como testemunhas todos os colegas de setor, ela foi demitida. Certamente pensou que foi por causa da caloura, mas quem puxou o tapete dela, na verdade, foi o próprio insucesso e imaturidade profissional.
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