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quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Ciúme, ciúme de você

Não quero entrar nos méritos de quem usa o trabalho como uma desculpa para a traição, mas muitos profissionais precisam, sim, ficar até tarde trabalhando na empresa

blog_padrao_bernt

Já escrevi aqui uma vez sobre como o ciúme pode atrapalhar o desempenho no trabalho, mas hoje o enfoque é um pouco diferente: ciúme do cônjuge. Já são praxe aquelas discussões sobre “o que você ficou fazendo no escritório até tarde?”, “sua/seu colega Fulano estava lá também?”. Não quero entrar nos méritos de quem usa isto como uma desculpa para a traição, que sou ferrenhamente contra, mas quero me apoiar no fato de que muitos profissionais precisam, sim, ficar até tarde trabalhando na empresa.

ciume-350Seja a reunião interminável marcada para o finzinho do expediente (por motivos de concentração) que se alongou, ou aquele projeto em que o prazo está curtíssimo, chegando e que o chefe não sai do pé, ou a simples e forte dedicação pelo trabalho (por paixão ou necessidade), todos sabem que, muitas vezes, o extra é necessário.

Já vi alguns executivos abdicarem de suas posições de alto escalão por causa de pedidos do marido ou esposa. As viagens ou reuniões constantes levantavam suspeitas do cônjuge, tiravam o sono e a frágil harmonia do relacionamento do casal.

Gosto de escrever sobre isto pois eu mesmo sofri desse mal. Sempre me dediquei muito ao crescimento de minha empresa e por conta disso ficava horas e horas noite adentro trabalhando. E, sou a prova viva de que o apoio do cônjuge é crucial para o crescimento profissional de ambos. Há algumas profissões em que isso acontece inevitavelmente. Médicos, jornalistas, atores, cientistas, profissões que geralmente precisam de dedicação “extra office” ou em qualquer outra profissão, a abdicação de alguns momentos sociais em função da paixão pelo ofício são os principais responsáveis por isso.

Mas há um porém nisso tudo. Às  vezes os profissionais estão tão mergulhados nas suas causas profissionais que se esquecem da vida pessoal e fazem dos esforços esporádicos no escritório um hábito. Amar a profissão é algo que todos deveriam fazer, tanto a própria quanto respeitar a do cônjuge, mas ponderar a importância das vidas pessoal e profissional, e o relacionamento, é também ter o equilíbrio entre o que é importante na vida: o trabalho e o coração.
 

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