O que vejo alguns profissionais maduros cometerem como erro é não dar o crédito ou o voto de confiança ao chefe, só por ele ser mais jovem ou ter entrado recentemente no mercado

Você já deve ter visto ou lido em alguma revista, mas há vários jovens assumindo cargos de liderança atualmente. E uma das coisas engraçadas que têm acontecido, justamente, foi atender amigos e conhecidos “veteranos”, que queriam aprender a lidar com esse tipo de situação: ter um chefe mais jovem que você no comando.
Não ouso dizer que é uma “tendência”, mesmo porque cada empresa tem um estilo de gestão, mas é fato que alguns jovens azes têm assumido a ponta do comando mesmo. Pode parecer arriscado colocar alguém que “mal saiu das fraldas” para comandar toda uma equipe ou operação, mas é bom lembrar que maturidade e profissionalismo não tem nenhuma relação direta com idade. Muito menos no quesito qualificação técnica, já que as novas gerações têm passado os mais velhos facilmente.
O que vejo alguns profissionais maduros cometerem como erro é não dar o crédito ou o voto de confiança ao chefe, só por ele ser mais jovem ou ter entrado recentemente no mercado. Ele pode ser novo no mercado, mas vários deles, mesmo recém-formados, saem da academia já sabendo como alavancar o negócio ou como montar um estilo agressivo de estratégia.
Aqui, é fácil perceber os opostos: o jovem tem nas mãos a técnica e a ousadia, e o veterano tem a vivência e experiência, e as empresas têm, sim, procurado unir a visão técnica e agressiva do jovem com a experiência e resiliência dos mais velhos – o que é, de fato, uma estratégia interessante. Ter equipes bastante heterogêneas garante a diversidade não só de profissionais e formações, mas de experiências e bagagens culturais bastantes diferentes.
Contudo, a diferença étnica, etária, de gênero ou qual for traz, também, problemas de relacionamento, e aqui exponho o que ambas as partes, neste caso, devem ter cautela:
O jovem líder deve cuidar com a ansiedade em mostrar resultados, a arrogância em se sentir superior aos liderados experientes e com o orgulho, que pode fazê-lo não enxergar considerações importantes da equipe. É preciso ser humilde e literalmente aprender com a voz da experiência. O que muitos experientes custaram a aprender, colocando em risco a própria carreira e as empresas pelas quais passaram, pode ser passado e ensinado ao jovem líder sem que ele corra os mesmos riscos. E claro, ocupar uma posição superior não é sinônimo de ser o detentor da Verdade, nem de ser mais capacitado, mas de ter o melhor perfil para assumir aquele cargo.
Para os veteranos de guerra, antes de tudo (e se necessário), é bom tomar um analgésico e amenizar a dor de cotovelo. Entenda que há motivos para o líder estar onde está. A única opção que você tem é aceitar a condição e desempenhar bem sua função. Outro ponto importante é não subestimar a capacidade do líder, só por ele ser mais jovem. Além de que maturidade, como já disse, não está diretamente atrelada à idade.
E uma informação que vale para todos os profissionais: não é todo mundo que nasce para ser líder. Alguns trazem no sangue a habilidade de liderar, é uma habilidade nata, como outra qualquer, e outros, nasceram para serem liderados. Numa empresa onde gregos e troianos devem conviver pacificamente, o pensamento que deve prevalecer é o de progresso coletivo. Independentemente de quem é o líder ou o liderado, o sucesso é da empresa.
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