Muitas pessoas buscam meios alternativos de ganhar muito — ou evitar perder muito — dinheiro

Muitas pessoas já devem ter parado pra pensar sobre o que é realmente a ética profissional. Acredito que muitos tomam a imagem suja de vários políticos como base, ou mesmo de alguns mecânicos de oficina de automóveis, mas há ações bem menores (mas não de menor importância) praticadas por muitas pessoas que são igualmente sujas.
Antes de entrar especificamente no assunto, lembremos o que exatamente é a ética e de onde o termo vem. Originada da palavra grega Ethos, que significa “caráter”, ela define principalmente as boas regras de conduta e sempre visa harmonizar a convivência humana e torna-la justa no caso de surgirem diferenças e atritos. Não é um sinônimo de certo ou errado, bom ou mau, e não está diretamente ligado à lei, apesar de os códigos e normas estipulados no Brasil e no mundo usarem a ética (que analisa o comportamento das pessoas, não os atos) como princípios básicos para reger se determinado comportamento.
A educação, lembro, tem importância indiscutível na concepção de tais percepções. Tanto por parte da família e parentes, a educação escolar e, mais tarde, os ambientes de frequentação e amizades. Tudo influencia no comportamento de uma pessoa, mas o caráter, se criado com solidez e boa índole, dificilmente será abalado por influências negativas.
A variedade de atos que podem ser cometidos é praticamente infinita, mas vou focar no âmbito profissional: não assumir erros (ou culpar alguém por eles); fofocar ou falar mal de outros pelas costas; subornar o fiscal do sindicato por a empresa estar desrespeitando o piso exigido pela classe; dizer que consegue um “descontinho especial exclusivo para você” quando na verdade aquela faixa de negociação já está inclusa; mentir sobre o prazo de entrega de algum produto ou serviço etc. Há outros clássicos como utilizar equipamentos da empresa para assuntos particulares, furar filas ou ficar olhando para os dotes de um(a) colega de trabalho.
Atos assim envolvem mentira, enganação e até mesmo assédio, mas destroem, sobretudo, a honestidade e a ética, além de afetar a credibilidade, confiabilidade e a imagem do profissional. Aliás, cabe ressaltar que quem opta por fazer um ato deste, o faz conscientemente. Ninguém tem dúvidas da idoneidade que cada atitude carrega implicitamente, seja no procedimento correto de se fazer algo ou na maneira de se comportar e agir.
Aliás, estes atos antiéticos geralmente são sustentados por uma busca frenética e incessante por um recurso em específico: dinheiro. Muitas pessoas buscam meios alternativos de ganhar muito, ou evitar perder muito, se aproveitando de brechas na lei, corrompendo, roubando (de canetas ao desvio de verbas), vendendo influência etc.
A criação de CPIs, recorrentemente discutida na imprensa, e que já ensurdeceu o povo e extinguiu a paciência da opinião pública é prova viva disso tudo. Fico contente em ver colegas lutando para conquistar seus objetivos, indo pelo caminho correto das coisas, seja para enriquecer, alcançar um cargo específico etc. Somos provados constantemente quanto a legitimidade de nossos atos, cabe a cada um decidir por manter intactos a honra e a dignidade ou perder-se no marasmo da fraqueza de caráter e ter sua reputação manchada para sempre.
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