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segunda-feira, 04 de abril de 2011
Quando nossas redes sociais falam mal de nós mesmos

Podemos ter tornado os smartphones e notebooks nossas extensões, mas, mais que isso, tornamo-nos nossos próprios acusadores, e deixamos provas, ora favoráveis, ora não, contra nós mesmos, por espontânea vontade

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A construção e manutenção da nossa imagem frente a amigos e familiares é uma coisa à qual já estamos acostumados, mas a regra para o mercado corporativo é outra, totalmente diferente, e tão delicada quanto uma digna porcelana chinesa.

colegas-no-pc-350Ter a fama de um profissional que profana contra os outros, principalmente por suas costas, obviamente, é maléfico para sua própria reputação. Por isso, se quer ser lembrado, que seja pelo bem, por resultados, por elogios, comentários bons a respeito de ex-colegas, ex-chefes e ex-subordinados.

Há algo que todos já sabem sobre a contratação de profissionais: a maioria dos contratantes busca referências dos candidatos em seus antigos empregadores. Além de notas sobre desempenho e qualificação, que são facilmente obtidas por meio de uma breve entrevista com o próprio candidato ou o currículo, eles buscam referências sobre a parte comportamental. O comportamento é, muitas vezes, considerado mais importante que a qualificação em si, já que ela pode simplesmente ruir toda uma equipe, ou fazê-la cada vez mais coesa e unida, de maneira que trabalhe com eficiência impressionante. Mas há, também, o outro lado da moeda. O ser humano, como todos sabem, é capaz de realizar proezas que até seus semelhantes duvidam e podem, sim, mascarar atitudes de seus ex-compatriotas facilmente. Sabendo disso, um novo local de busca nasceu, já rico em informações críveis: a internet.

Percebo por várias pessoas e conhecidos que volta e meia me adicionam nas redes sociais. Muitos misturam seus perfis entre profissional e pessoal, ou simplesmente são muito descuidados com suas mensagens escritas e com o rastro deixado por elas.

Ao entrar no perfil de qualquer um em qualquer rede social, é possível, de maneira rápida e silenciosa, descobrir alguns pensamentos, comportamentos e atitudes desta pessoa. Podemos ter tornado os smartphones e notebooks nossas extensões, mas, mais que isso, tornamo-nos nossos próprios acusadores, e deixamos provas, ora favoráveis, ora não, contra nós mesmos, por espontânea vontade.

Aquela velha máxima “quem não é visto, não é lembrado” estende-se perfeitamente aos sites e redes que estamos conectados, mas é bom pensar duas, três vezes antes de postar qualquer mensagem. Atualmente, muitas redes permitem o compartilhamento de informações entre si, mas nem sempre o foco de uma é igual ao foco da outra. O LinkedIn, por exemplo, é uma rede social com perfil profissional e lá devem ser tratados aspectos estritamente profissionais. Já outras redes, como Facebook, Twitter, Orkut etc., têm um perfil mais pessoal, onde, mesmo assim, há que se ter cuidado com o que se posta lá.

Há alguns segredos que ajudam a manter nossa reputação e credibilidade em seu devido lugar: conosco. Primeiro, não seja rabugento ou reclamão e não faça de seu mural na rede social um mural de lamentações e reclamações; segundo, saiba guardar segredos, vire o seu próprio túmulo e o dos outros – lembre-se que um segredo bem guardado é um segredo não contado (ou seja, só você o conhece); terceiro, limpe seus rastros. Seja um carrasco de seu próprio comportamento e policie-se mais sobre suas atitudes; quarto, não seja rancoroso. Guardar intrigas e raiva de antigos colegas nunca é bom. Um dia, eles podem aparecer novamente como seus colegas, ou mesmo como chefes; quinto e último, seja grato pelo seu antigo emprego. Se eles eram bons ou maus colegas, isso não vem ao caso. A empresa abriu as portas para você gentilmente, não seja turrão de fechá-la com um pontapé. Quem sabe, esse pontapé não ache o caminho de volta um dia também.
 

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