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sexta-feira, 18 de março de 2011
A chibata laboral

Há muitas leis que protegem os trabalhadores, mas hoje vou falar sobre o outro lado da moeda


blog_padrao_bernt

Conhecemos muitas leis que protegem as diferentes classes de trabalhadores, e as pessoas estão cada vez mais cientes de cada um de seus direitos. Mas venho falar hoje sobre o outro lado da moeda. Aquele que abusa dos trabalhadores, viola as leis trabalhistas, assedia moralmente e denigre o ser humano.

papeis350Fico triste ao ver profissionais que pagaram por um curso de qualificação e são submetidos a salários inferiores ao piso de sua categoria. Aliás, dos males este é somente mais um. Outros são maltratados pelo chefe, trabalham em condições impróprias (que envolvem segurança ou saúde), em horários abusivos e, acabam, por medo de perder o trabalho, prejudicando a própria imagem da profissão. Apesar das leis de proteção existentes, isto tudo acontece, sim.

Dentre as fontes de problemas, a origem é dividida, basicamente, entre os gestores e as empresas. Enquanto aqueles não sabem ou sequer estão preparados para exercer a função administrativa de maneira profissional, estas muitas vezes não são “a empresa perfeita para se trabalhar” que estampam em seus websites ou nos quadros de missão e valores.

A consequência disso é um clima organizacional extremamente desconfortável e impróprio para o trabalho. Já vi chefes perguntarem detalhes do lado mais íntimo da vida de seus colaboradores, violando totalmente a liberdade individual de manter a discrição da vida pessoal, sem ter o mínimo de noção de inconveniência possível. Além dos que pedem favores pessoais, entulham subordinados com o trabalho pertencente a eles, os fazem viajar incessantemente - abdicando-os dos momentos familiares e submetendo-os muitas vezes ao estresse de aeroportos e rodoviárias -, ou fazendo com que a carga de trabalho seja tão grande que a necessidade de horas extras ultrapasse os limites da lei e da saúde, e isso sequer pode constar no relatório mensal.

Outro problema frustrante são as empresas que precisam manter seu status aparente de luxo e requinte, e de fato lucram como tais, mas remuneram pifiamente os que nela trabalham. Exploração funcional, trabalhista, humana.

Quanto aos níveis mais operacionais, esses, certamente, são os mais explorados. Em algumas profissões, o trabalho é exaustivo ao extremo. Ficam o dia todo em pé, ou subindo e descendo escadas, transportando pesos que prejudicam a saúde, sem um repouso adequado. Ou então, pior, lidam com chefes que precisam fazer o papel de durões, cobrando metas ou resultados de maneira ofensiva ou ameaçadora – fazendo o inverso do que toda a ética humana e empresarial prezam.

Muitas dessas ofensas, diria grande parte, acontece pelo medo das pessoas em perder o emprego, o sustento. Natural e instintivo, claro, mas o respeito e o cumprimento dessas leis só  serão garantidos quando cada colaborador lesado decidir tomar a iniciativa e mostrar com profissionalismo e da maneira correta, tudo o que infringe a ética e os bons costumes, pelo bem de todos nós.
 

Comentários 

 
0 #2 2011-03-22 16:48
Em pleno século XXI, a Senzala Virtual, corporativista é embalada nos credos de que manda quem pode. Uma parte infelizmente muito grande das tais empresas "de nome", demonstram diariamente o quanto apreciariam que a escravidão fosse oficializada. Não precisariam gastar dinheiro para comprar resultado em pesquisas fajutas, ou posar de boas empresas para trabalhar, ou fazer propagandas de um ambiente fictício que mais parece um circo em que animais, digo, empregados amestrados, fazem o papel de descolados ao extremo ou de supersatisfeito s no alto de sua aparência pueril de sucesso, mas vazia de real experiência e valores humanos.
Ideais verdadeiros e entrosamento de equipe não podem ser forçados. Programas e metodologias ajudam aqueles que são bons, mas não mascaram os maus. É fácil ser uma empresa grande. Difícil, é ser uma Grande Empresa.
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0 #1 2011-03-21 18:47
Toda essa preocupação é inócua, quando o que interessa para o sistema moderno é o curto prazo. Assim, se a receita a curto prazo e o lucro estiverem suficientes para o valor de mercado da empresa crescer, não importa o futuro... no mundo moderno, o ideal, inclusive, é que a empresa seja vendida para algum megagrupo a valores suficientes para um bom retorno no mercado financeiro, em que os empreendedores do passado se tornam apenas "investidores"...
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