Há muitas leis que protegem os trabalhadores, mas hoje vou falar sobre o outro lado da moeda

Conhecemos muitas leis que protegem as diferentes classes de trabalhadores, e as pessoas estão cada vez mais cientes de cada um de seus direitos. Mas venho falar hoje sobre o outro lado da moeda. Aquele que abusa dos trabalhadores, viola as leis trabalhistas, assedia moralmente e denigre o ser humano.
Fico triste ao ver profissionais que pagaram por um curso de qualificação e são submetidos a salários inferiores ao piso de sua categoria. Aliás, dos males este é somente mais um. Outros são maltratados pelo chefe, trabalham em condições impróprias (que envolvem segurança ou saúde), em horários abusivos e, acabam, por medo de perder o trabalho, prejudicando a própria imagem da profissão. Apesar das leis de proteção existentes, isto tudo acontece, sim.
Dentre as fontes de problemas, a origem é dividida, basicamente, entre os gestores e as empresas. Enquanto aqueles não sabem ou sequer estão preparados para exercer a função administrativa de maneira profissional, estas muitas vezes não são “a empresa perfeita para se trabalhar” que estampam em seus websites ou nos quadros de missão e valores.
A consequência disso é um clima organizacional extremamente desconfortável e impróprio para o trabalho. Já vi chefes perguntarem detalhes do lado mais íntimo da vida de seus colaboradores, violando totalmente a liberdade individual de manter a discrição da vida pessoal, sem ter o mínimo de noção de inconveniência possível. Além dos que pedem favores pessoais, entulham subordinados com o trabalho pertencente a eles, os fazem viajar incessantemente - abdicando-os dos momentos familiares e submetendo-os muitas vezes ao estresse de aeroportos e rodoviárias -, ou fazendo com que a carga de trabalho seja tão grande que a necessidade de horas extras ultrapasse os limites da lei e da saúde, e isso sequer pode constar no relatório mensal.
Outro problema frustrante são as empresas que precisam manter seu status aparente de luxo e requinte, e de fato lucram como tais, mas remuneram pifiamente os que nela trabalham. Exploração funcional, trabalhista, humana.
Quanto aos níveis mais operacionais, esses, certamente, são os mais explorados. Em algumas profissões, o trabalho é exaustivo ao extremo. Ficam o dia todo em pé, ou subindo e descendo escadas, transportando pesos que prejudicam a saúde, sem um repouso adequado. Ou então, pior, lidam com chefes que precisam fazer o papel de durões, cobrando metas ou resultados de maneira ofensiva ou ameaçadora – fazendo o inverso do que toda a ética humana e empresarial prezam.
Muitas dessas ofensas, diria grande parte, acontece pelo medo das pessoas em perder o emprego, o sustento. Natural e instintivo, claro, mas o respeito e o cumprimento dessas leis só serão garantidos quando cada colaborador lesado decidir tomar a iniciativa e mostrar com profissionalismo e da maneira correta, tudo o que infringe a ética e os bons costumes, pelo bem de todos nós.
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Ideais verdadeiros e entrosamento de equipe não podem ser forçados. Programas e metodologias ajudam aqueles que são bons, mas não mascaram os maus. É fácil ser uma empresa grande. Difícil, é ser uma Grande Empresa.