Ser conciso vende mais, convence mais – mas é preciso ter cuidado

Muito se fala sobre proatividade, liderança e outras características fundamentais aos bons profissionais. Mas, sinto que falta algo de extrema importância nesse rol de habilidades requeridas: objetividade. Com o perdão do trocadilho, falar claro e ser objetivo é muito mais do que falar menos.
Ser claro e objetivo é transmitir ideia de segurança no que se diz. Se você vai direto ao ponto, seu raciocínio certamente foi rápido para dar a resposta em menos tempo, conferindo-lhe a impressão de conhecimento sobre o assunto, tornando a resposta mais automática e fazendo-a passar por menos rodeios – o que consequentemente dá menos tempo de reação ao seu interlocutor, que provavelmente tomará isso como uma verdade. Mas isso é somente uma suposição, já que não podemos descartar aqueles que são ótimos negociadores e necessitam utilizar mais palavras para se expressar.
Nessa habilidade, é importante analisar o contexto da situação. Alguém que trabalha com vendas não precisa necessariamente ser direto. É preciso saber argumentar e convencer muito bem. Saber persuadir sem ser opressor.
Geralmente – mas não necessariamente –, as pessoas diretas são mais organizadas. Pois, se são claras em suas ideias, são mais objetivas ao transmiti-las. Além de tudo, ser prolixo, na maioria das situações, fará o emissor da mensagem e seu interlocutor perderem o foco.
Mas, além de convencer melhor, ser direto reflete em outros itens na empresa. Um bom exemplo são as reuniões e definição de planejamentos e estratégias. Reuniões com pauta definida e tempo de duração máximo estipulado geralmente são mais objetivas. Por estes motivos elas são mais curtas e geralmente acabam antes do tempo previsto.
Isto revela outra característica que cabe a cada um de nós observar: sob pressão ou com pouco tempo, geralmente somos mais ágeis, mais rápidos e mais objetivos. E este é justamente o pensamento natural que as pessoas concisas têm ao se expressar: “por que demorar a falar algo, dando rodeios ao redor da minha ideia central, se posso ir direto ao ponto?”. É uma questão de utilidade (utilizar somente as informações necessárias, excluindo o supérfluo). Mas, como toda característica, há os dois lados opostos.
Os opostos devem se atrair
Se você reparar que, às vezes, as pessoas perdem a paciência ao lhe ouvir, desviam a atenção ou mudam de assunto, preste atenção: você pode ser uma pessoa prolixa. Tente ser mais objetivo e ir direto ao assunto, sem muitos rodeios. Você verá como é possível convencer mais, sem necessariamente argumentar por horas.
Se você é objetivo demais, observe se as pessoas não têm medo de lhe contar ou reportar algo por receio de sua resposta. Muitas vezes, pessoas objetivas ao extremo são lacônicas. Ou seja, respondem com “sim” e “não”, ou “não gostei assim. Faça deste outro jeito”. Isso geralmente é confundido com arrogância, aspereza ou rispidez – que muitas vezes não tem a ver com o perfil natural e social da pessoa. O que vale, para todas estas situações, é a cordialidade ao expressar ou dar feedbacks. Afinal de contas, é possível ser sucinto sem ser seco e muito menos sem ser tagarela.
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Última atualização em terça-feira, 30 de novembro de 2010 |