A percepção do consumidor é misteriosa e, por vezes, divertida

Desde 2005, a pesquisa "Marcas de quem decide", do Jornal do Comércio (Porto Alegre), aponta como líder em lembrança de marca e preferência dos entrevistados, na categoria feijão, a marca Tio João. Detalhe: não existe o feijão Tio João. Existe o arroz. O caso não chega a ser inédito. A açúcar União, anos atrás, lançou novos produtos como fermento e barras de cereal baseada numa pesquisa que indicava que as donas de casa faziam elogios a esses produtos da marca – que, à época, sequer existiam. A Victorinox, histórica fabricante de canivetes, lançou sua linha de relógios de pulso de forma semelhante: ao ouvir consumidores falarem bem de um produto que jamais fora cogitado pelo staff da empresa. Esses exemplos mostram como a percepção do consumidor é fascinante – e como deve ser sempre sondada antes do lançamento de um produto ou marca. O recado que passam com essas confusõezinhas mentais é de que enxergam semelhanças entre as categorias de produto em questão, e que veem a marca como habilitada a atuar em mais de uma delas. Ou seja, por mais curiosa e equivocada que seja, a visão dos consumidores funciona como uma dica, um sinal de oportunidade não aproveitada. A propósito: por que a Josapar, dona da marca Tio João, não aproveita e lança o feijão com este nome? Ok, a empresa já comercializa o feijão Biju, e deve temer a canibalização... mas não pareceria lógico fazer a tentativa? Mesmo que não existam garantias de sucesso (a União, por exemplo, fracassou), será que não se trata de uma oportunidade que a empresa está deixando passar?
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Comentários
Talvez o temor da Josapar seja outro, eles chegaram a criar uma linha de arroz "premiun" com a marca Tio João, aparentemente essa linha não "decolou", talvez porque a percepção dos consumidores seja de que Arroz Tio João é arroz BRANCO (tanto que nem o parborizado da empresa parece ter tido muito sucesso).
Além disso, há o "Fator Daewoo", você deve conhecer, mas vou relembrar: A Daewoo pulverizou tanto a sua marca que em um dado momento não se sabia mais o que eles faziam, porque faziam de tudo, tinham estaleiros, bancos, montadora de automóveis, computadores, etc... a marca perdeu a identidade.
Podem ser muitos os motivos para a Josapar não criar um Feijão Tio João... não digo que estão certos, talvez sim, talvez não.
Como você disse, poderiam experimentar...
Atenciosamente,
Rudinei R. Modezejewski
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