Ou: de como finalmente entendi por que iPods, iPhones e iPads são um sucesso
Quando o iPhone foi lançado, três anos atrás, não entendi o escarcéu de aficionados e imprensa. Pelo que lia, ouvia e assistia, a mim parecia que o produto não passava de uma versão redesenhada de smartphones já disponíveis no mercado. Uma traquitana que fazia, em suma, o que Blackberries e assemelhados já faziam há algum tempo.
Surpresa semelhante me acometera antes, quando da febre dos iPods, e mais recentemente, quando da apresentação do iPad. Descontado o apelo da marca Apple e o design dos produtos, nada, absolutamente nada me fazia crer que tais gadgets fossem revolucionários ou sequer inovadores - para usar duas das palavras mais repetidas à época. Uma reportagem recente da revista americana Fast Company me ajudou a entender melhor o mérito desses produtos todos, e da Apple como corporação. Segue um trecho destacado da reportagem, em tradução livre: "Não invente. Reinvente. (...) Para usar uma analogia musical, a especialidade da Apple é o remix. Ela se apropria das melhores idéias que estão borbulhando no mundo da tecnologia e faz sua própria versão delas. Ela é sempre uma grande aprimoradora, melhorando tudo o que está errado em produtos semelhantes disponíveis nas prateleiras. (...) O iPad é um exemplo perfeito. Muito dele já havia sido feito antes. (...)" Duas coisas me chamaram a atenção. A primeira: entender o conceito de inovação sob um outro ângulo. Inovação pode não ser invenção; pode ser imitação com melhoria. Segunda: esta pode ser uma estratégia empresarial legítima e vencedora. Dias depois, deparei-me com dados de uma pesquisa do professor Oded Shenkar, da Ohio State University (EUA). Shenkar afirma que, via de regra, "o imitador passa a perna no inovador, cujos custos são, em média, um terço mais elevados", a ponto de "(...) quase 98% do valor gerado por inovações não [ir] para os inovadores, mas para imitações não raro ignoradas e menosprezadas" (Harvard Business Review Brasil, abril 2010, p.20). E imitar melhorando é pouca coisa? De jeito nenhum, responde o professor Shenkar. Trata-se de uma tarefa que "é difícil e requer inteligência e imaginação". Ou seja: os louros para os imitadores podem não ser tão profusos quanto aqueles destinados aos inventores, mas seus resultados econômicos podem, perfeitamente, legitimar tal escolha estratégica. Definir o que é de fato revolucionário é o de menos; o que importa é fazer um produto matador. Ou como bem resume a Fast Company: "O iPad era realmente algo novo? Isso importa? A Apple vendeu 2 milhões de unidades nos primeiros 60 dias".
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Comentários
O que faltou falar é que boa parte das vendas não se devem à qualidade do produto, mas simplesmente ao marketing intenso. Pura marca e status social.
Por Daniel Sperb Graduado em Gestão Financeira