| terça-feira, 24 de Janeiro de 2012 |
| A saturação da hiperconexão |
|
Um comercial nos lembra, apropriadamente, que "a vida gira em torno do sol" No primeiro Café TVCOM do ano, a jornalista Claudia Laitano apostou que 2012 será marcado por uma saturação na atual hiperconexão. Redes sociais, acesso móvel à internet, atualização instantânea sobre qualquer assunto – tudo isso entretém e informa, mas cansa na mesma medida. E lembrou de um comercial no ar atualmente, que sugere às pessoas dar um tempo na vida digital e aproveitar a praia. “Se isso já chegou à publicidade”, disse Laitano, “é porque as pessoas já estão se dando conta do excesso”. Bingo. Bingo duas vezes, aliás.Primeiro, pelo comentário acerca da publicidade. Realmente, as coisas só chegam à publicidade quando fundamentadas no contexto social. A publicidade jamais contraria a sociedade; pelo contrário, serve-se dela para elaborar suas campanhas e reforçar consensos e visões de mundo. A tal campanha a qual Laitano se refere (do protetor solar Sundown) não foi concebida no vácuo, como bem a jornalista apontou. Segundo, pelo próprio diagnóstico da tendência de fundo. Ler atualizações de perfis no Twitter ou Facebook, ou mesmo checar a caixa de entrada a todo momento é quase um vício para muita gente. Algo que se tornou, aliás, danoso à produtividade: os estímulos da web são tantos que a concentração está mais difícil. Recentemente, fiquei sabendo de uma técnica chamada “Pomodoro”, na qual a pessoa estabelece um período de tempo, marcado no relógio, para desenvolver suas atividades antes de poder se distrair com os atrativos digitais novamente, por alguns minutos. Uma forma de autodisciplina menos necessária até tempos atrás. Além disso, há a invasão das horas de descanso pelas horas de trabalho, facilitada pelos gadgets hiperconectados. Recentemente, a VW alemã e o sindicato dos trabalhadores chegaram a um acordo que limita o uso de e-mails depois do expediente. Passados 30 minutos do final do horário de trabalho, o servidor da empresa não encaminha e-mails para seus funcionários, venham eles de onde vierem. E só volta a funcionar meia hora antes do início do expediente, no dia seguinte. Com isso, consegue-se, em tese, um pouco mais de separação entre vida pessoal e trabalho, coisa que a tecnologia teima em misturar. O slogan do comercial da Sundown é “a vida gira em torno do sol”. Mas poderia ser, perfeitamente, uma brincadeira sobre a máxima de Pablo Neruda: “desligue o smartphone, o tablet e o notebook - e vá viver”. |



Bingo. Bingo duas vezes, aliás.


Comentários