| terça-feira, 10 de Janeiro de 2012 |
| Cenoura: é impossível comer uma só |
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Que tal vender comida saudável como se fosse salgadinho? Em meados desse ano, uma pesquisa do IBGE apontou uma piora na qualidade nutricional da alimentação do brasileiro. O consumo de produtos calóricos e sem valor nutritivo aumentara desde o levantamento anterior do Instituto, enquanto que o de verduras e legumes caíra. Produtos industrializados, geralmente saborosos e fáceis de consumir, vêm ganhando espaço na mesa das famílias, especialmente as urbanas – o que obviamente é uma boa notícia para as empresas alimentícias, mas nem tanto para a saúde pública, como se sabe. A marcha do trash food é impossível de deter, tendo em vista o que ocorre nos EUA, certo? Não necessariamente. Talvez o que os alimentos mais saudáveis precisem não seja tanto de uma volta ao passado, no qual o ritmo de vida nas cidades era mais lento, favorecendo a alimentação nos domicílios, ou mesmo de uma restrição legal à oferta de industrializados. Talvez o que os alimentos saudáveis precisem seja um pouco de marketing.Vejamos. Uma produtora de cenouras dos EUA resolveu pesquisar e descobriu que todas as campanhas publicitárias de commodities agrícolas, como leite (“Got milk?”), ovos, abacate ou amêndoas, trouxeram retorno – algumas, da ordem de 10 vezes o total investido. “Por que não promover as cenouras?”, pensaram. Mais especificamente, cenouras baby, aquelas pequenininhas, servidas como acompanhamento de pratos de todos os tipos. A intenção não era destacar que as cenourinhas são saudáveis, e sim transformá-las em um produto “emocional, divertido, que apelasse mais ao impulso do que à responsabilidade – coisa que uma fabricante de refrigerantes ou salgadinhos poderia fazer” (Fast Company, abril de 2011). O resultado foi a transformação das cenourinhas em snacks vendidos em pacotes, tais quais os Doritos da vida. Crocantes, pequenas e, por que não?, viciantes, as baby carrots começaram a ser comercializadas em máquinas, no mesmo estilo dos salgadinhos. Como disse um publicitário envolvido no projeto, mais do que tornar as cenourar atraentes, tratou-se de incluí-la em uma nova categoria – coisa que o slogan não deixou margem para dúvidas: “Coma-as como se fossem junk food”. Ainda é cedo para dizer se essa campanha, veiculada nos EUA ao longo desse ano, vai se pagar, como as demais que já foram feitas para estimular o consumo de produtos in natura. Mas a solução proposta sugere que a luta contra os maus hábitos alimentares (ou comportamentos pouco saudáveis de todos os tipos) pode não ser uma questão de educação, “consciência” ou proibição – e sim, de marketing. |



A marcha do trash food é impossível de deter, tendo em vista o que ocorre nos EUA, certo? Não necessariamente. Talvez o que os alimentos mais saudáveis precisem não seja tanto de uma volta ao passado, no qual o ritmo de vida nas cidades era mais lento, favorecendo a alimentação nos domicílios, ou mesmo de uma restrição legal à oferta de industrializados. Talvez o que os alimentos saudáveis precisem seja um pouco de marketing.





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