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quinta-feira, 13 de outubro de 2011
A hora da decisão

Assim como menos alternativas de produtos facilitam a vida do consumidor, menos informação, também

Em um post publicado em fevereiro deste ano, tratei das dificuldades inerentes ao processo de decisão de compra dos consumidores. O texto destacava negócios baseados na inexistência de alternativas para os consumidores – algo aparentemente contraditório numa época de opções abundantes, mas completamente sintonizado com descobertas recentes acerca de nossa capacidade cognitiva. Mais opções levam a processos de decisão mais complexos, complicados e, por vezes, frustrantes.

decisao-blog-350O meu post referia-se às alternativas de produtos à venda no mercado, e não necessariamente à quantidade de informação disponível sobre eles – fator que nunca havia chamado a minha atenção, por sinal. Na era da internet, é possível informar-se bastante sobre um produto antes de adquiri-lo, o que tornaria, em tese, qualquer decisão mais simples e convicta. Ledo engano. Pesquisa realizada por Nicholar Carr, da Temple University (EUA), indica que

“a enorme quantidade de informação disponível dispersa as pessoas, comprometendo a habilidade para decidir de maneira inteligente. Entre as principais razões estão o fato de a mente dar maior peso à informação mais recente, e não à mais importante ou à mais interessante” (HSM Management, setembro-outubro de 2011, p.142).

Assim, “quando estamos expostos a excesso de informação, deixamos de ser aptos para decidir sobre qualquer coisa”. O que talvez signifique que não só uma grande quantidade de alternativas de produtos possa ser ruim, como de informações disponíveis sobre ele, também. O problema: o número de opções de um produto é passível de controle pela empresa, mas o de informações a respeito dele, não.

***

Decisões fazem parte da rotina de consumidores, claro, mas de gestores também. O mesmo princípio discutido acima poderia ser estendido às decisões gerenciais tomadas nas organizações: quanto mais informação existente, maior a chance de erro. Como ninguém ousaria tomar decisões totalmente no escuro, o melhor conselho parece ser: a reunião de evidências deve ter um prazo-limite. A partir dele, o foco do gestor deve ser analisar e decidir. Do contrário, o processo tende a se realimentar de maneira negativa: coletar mais informação não toma apenas o tempo dedicado ao levantamento de dados propriamente dito, mas também às etapas posteriores de análise e decisão, visto que ambas ficam inevitavelmente comprometidas em função da fase inicial.

***

A qualidade das decisões gerenciais resultam não só das informações, como também de fatores situacionais. Pesquisa referida por Thomaz Wood Jr. na Carta Capital (07/09/11, p.82) avaliou decisões de juízes para pedidos de liberdade condicional. O resultado?

“(A) taxa de concessão era mais alta no início do dia e após as duas interrupções diárias, caindo a quase zero nos perídoos imediatamente anteriores às interrupções”.

Por quê? Duas possíveis explicações:

“(P)rimeira, o tempo decorrido desde a última refeição – juízes com mais fome são mais rigorosos; segunda, o número provocado pelas decisões tomadas em série – juízes mais cansados tendem a tomar decisões mais ‘fáceis’, que mantêm a situação existente, o que, neste caso, significa a permanência do encarceramento”.

Afinal, “quando estamos cansados, temos dificuldade para tomar decisões e tendemos a seguir os caminhos mais fáceis”.

Em outras palavras: para evitar erros e arrependimentos, além da quantidade de informação coletada, deve-se atentar à hora do dia em que ela será tomada...
 

Comentários 

 
#4 2011-10-17 13:08
Muito bom. Outra coisa que acontece na internet, é que pode existir um excesso de informações conflitantes, e sem muito fundamento. Um mesmo assunto pode ter comentários feitos por um veterano especialista, ou por alguém com muito tempo repetindo erros, ou por alguém sem experiência nenhuma ou que apenas copiou e colou textos de outras origens. É como o problema dos livros. Papus já falava no século XIX sobre isso. Boa parte, senão a maioria dos livros, é cópia uns dos outros. Chega-se a ver coisas do tipo: autor A, cita o autor B, que cita o autor C, que por sua vez, cita o autor A... quem começou isto? Então é necessário coletar informações, mas parar para ponderar e meditar sobre aquilo que se encontrou. É incrível como decisões podem mudar e ter melhor qualidade quando tiramos alguns instantes para mudar o foco, relaxar, preparar-se para continuar a atividade. O bom lenhador é aquele que para e afia o machado.
Quote
 
 
#3 2011-10-14 16:28
Artigo sobre processo decisório
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#2 2011-10-14 16:26
Artigo sobre o processo decisório
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#1 2011-10-14 01:38
Assunto interessante
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