Na era das redes sociais, diante de uma crise de imagem como a da rede espanhola talvez não haja muito o que fazer

Profissionais de comunicação costumam defender que toda empresa deve estar preparada para lidar com crises – episódios negativos que podem abalar sua imagem e seus negócios.
Até onde eu sei, a recomendação é de que, uma vez o problema tenha se instalado, a empresa aja de maneira rápida e venha a público dar a sua versão dos fatos através de um executivo seu, evitando comunicados burocráticos e sem “rosto”. Semana passada, uma crise de imagem acometeu a Zara, rede espanhola de vestuário. A empresa foi flagrada por um programa de TV empregando mão-de-obra quase escrava em uma confecção terceirizada de São Paulo. A repercussão negativa foi rápida e intensa na internet. Ouvi, aqui e ali, que a empresa agiu mal no episódio. A Zara deveria ter contrabalançado a enxurrada de comentários desfavoráveis com outros, pró-empresa. Mas fiquei pensando: adiantaria? Se as imagens de TV foram definitivas e as manifestações na web vieram de milhares de usuários comuns, não haveria medida da Zara que contivesse o tsunami. Não digo que a empresa não pudesse ter agido diferente, tomando medidas melhores aqui e ali, mas dificilmente conteria o estrago que se instalou. Isso porque “antigamente” bastaria centrar a atenção nos principais veículos de imprensa para tentar deter, ou quem sabe até reverter, boa parte do problema. Hoje não. Ninguém segura uma turba de tuiteiros sem nome e sem rosto. Sinceramente, não sei o que poderia ter sido feito pela empresa, de muito diferente nesse episódio, e que pudesse estancar a verborragia anti-Zara que tomou conta da internet brasileira. Talvez a melhor medida fosse mesmo ter paciência, esperar e contar com o esquecimento – aquele mesmo que já absolveu tantas pessoas e empresas metidas em confusão.
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