Semana abre nervosa na bolsa

Ibovespa iniciou a segunda-feira em queda de 1,6% e o dólar subiu para R$ 3,13

Por Infomoney

Semana abre nervosa na bolsa

O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira (9) em um dia de forte mau humor no mercado brasileiro causado pela instabilidade política após a entrega da lista de políticos com envolvimento na Operação Lava Jato e protestos contra a presidente Dilma Rousseff (PT) após o pronunciamento em cadeia de rádio e TV na noite de domingo (8). Do lado internacional, bolsas europeias e asiáticas fecharam em queda, enquanto as norte-americanas subiam entre 0,3% e 0,8%. 

O benchmark caiu 1,6%, a 49.181 pontos. Ao mesmo tempo, o dólar comercial disparava novamente e subiu 2,39% chegando a R$ 3,1297. Já o contrato futuro da moeda norte-americana para abril subia 1,99%, a R$ 3,146. Assim como o dólar, os contratos futuros de DI também subiam. Os juros para janeiro de 2017 tinham alta de 40 pontos-base chegando a 13,84%. Já os juros para janeiro de 2021 subiam 36 pontos-base ficando cotados a 13,21%. O volume financeiro negociado foi de R$ 6,1 bilhões. O dólar também acelerava perdas diante de comentários da agência classificadora de risco Moody's. O relatório afirma que a investigação de corrupção da Petrobras afetará de forma negativa partes dos setores público e privado, mas que o apoio do governo para a empresa provavelmente ajudará a conter esse impacto.

O quadro político instável, com um racha entre o Planalto e o principal partido da base aliada, o PMDB, fica ainda mais tenso com a investigação de pessoas com forte influência como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB). Para muitos cientistas políticos, a guinada à oposição que Renan vem demonstrando em ocasiões como a da devolução da MP 669 e do discurso recheado de elogios ao senador José Serra (PSDB) seria uma tentativa de pressionar o PT para obter blindagem política do governo contra as denúncias que caem sobre o parlamentar. Segue no cenário doméstico também a preocupação com a situação econômica brasileira. O relatório Focus com a mediana das previsões de economistas para os principais indicadores da economia mostrou pela décima vez consecutiva uma redução na projeção do PIB. Agora eles apostam em uma retração de 0,66% ante um índice negativo de 0,58% na pesquisa da semana passada. Já para a inflação, a perspectiva se aproximou mais do IPCA registrado em fevereiro, de 7,7%, e chegou a uma taxa para o fim do ano igual a 7,77%, ante 7,47% na última projeção. 

Quem também subiu suas projeções para o IPCA foi o BTG Pactual, que elevou sua previsão de 7,5% ao ano para 8%, de olho ainda nos riscos de desvalorização do real mais forte do que o esperado. "Infelizmente, nós não vemos esperança no horizonte, com um outro aumento considerável provavelmente em março, deixando a inflação do primeiro trimestre deste ano em torno de 4%", sinalizou o banco de investimentos.

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 8,79, -3,3%; PETR4, R$ 8,91, -3,5%) fecharam em queda de 3,6%. O novo presidente da estatal, Aldemir Bendine, trabalha para que a companhia publique seu balanço auditado do terceiro trimestre até a primeira semana de abril, adiantou a coluna Radar, da VEJA. Ainda sobre a petrolífera, a CPI da Petrobras deve ouvir nesta terça-feira (10) Pedro Barusco, ex-gerente da estatal. Estão entre as prioridades da Comissão os depoimentos dos ex-presidentes Graça Foster e José Sérgio Gabrielli; da presidente da ANP, Magda Chambriard, além do doleiro Alberto Youssef, dos ex-diretores Paulo Roberto Costa, Jorge Zelada, Renato Duque e Nestor Cerveró. A lista de convocação também inclui Júlio Faerman (SBM Offshore), Luiz Eduardo Carneiro (Sete Brasil) e Glauco Legatti (refinaria Abreu e Lima).

Setor mais pesado do índice, os bancos também viram queda com o quadro geral da economia. Banco do Brasil (BBAS3, R$ 21,14, -3,9%), Bradesco (BBDC3, R$ 35,09, -1,2%; BBDC4, R$ 34,85, -2,8%), Itaú (ITUB4, R$ 34,09, -2,6%) e Santander (SANB11, R$ 13,87, -0,7%) viam desvalorização em seus papéis. As ações da Cetip (CTIP3, R$ 30,75, -7,6%) desabaram nessa sessão em meio a suposto envolvimento da empresa em esquema de propina com o governo. Com essa queda, os papéis voltam a operar próximos aos valores de dezembro do ano passado. Segundo uma reportagem da Folha de São Paulo, os políticos investigados pela Operação Lava Jato também receberam propina para facilitar negócios com outras estatais do governo federal. Há menções de pagamentos milionários a políticos provenientes de contratos de órgãos como o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito). A Cetip é responsável por registros nesse sistema, o que a ligaria possivelmente a esse esquema, embora seu nome não tenha sido explicitamente mencionado pela reportagem, corroborando para queda das ações nesta segunda, comentou a XP Investimentos. No caso do Denatran, dois ex-deputados do PP, João Pizzolatti (SC) e Pedro Correia (PE), serão investigados pela suspeita de terem recebido propina de R$ 20 milhões.

Cenário externo
As bolsas mundiais registraram queda em meio às expectativas de que o Federal Reserve pode elevar a taxa de juro antes do que se esperava. Os dados sobre empregos fora do setor agrícola nos Estados Unidos divulgados na sexta-feira (6) mostraram que a taxa de desemprego atingiu uma mínima de seis anos e meio de 5,5% em fevereiro. Os ganhos nos salários foram apenas leves, mas ainda assim fomentaram expectativas de que o Fed agora provavelmente descartará uma referência a "paciência" acerca do momento da elevação dos juros em sua próxima reunião de política monetária em 18 de março, abrindo assim as portas para uma elevação do juro em junho. Além disso, as ações europeias caíram com Grécia e ainda refletindo payroll acima do esperado na sexta, enquanto juros de títulos europeus recuaram com notícias de que BCE pode começar a comprar títulos alemães e italianos em plano de estímulos.

Ainda sobre a Europa, a chanceler alemã, Angela Merkel, disse durante visita ao Japão nesta segunda-feira que o continente enfrenta um desafio grande para conseguir chegar a um acordo de ajuda financeira à Grécia que mantenha o país na zona do euro. Perguntada em entrevista coletiva em Tóquio se descartaria um chamado "Grexit", como ficou conhecida a possível saída da Grécia do bloco de moeda única, Merkel foi mais cautelosa que o chefe da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que pareceu descartar a hipótese em uma declaração no fim de semana.

Com Reuters



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