Como os governos podem ajudar os empreendedores

Os políticos deveriam parar de apoiar capital de risco público

Por Endeavor*

A escolha de um líder

O apoio público ao empreendedorismo parece causar furor nos círculos políticos atuais. Mesmo assim, em 2011, apenas 8% das empresas norte-americanas eram novas, comparadas a 15% em 1970. Inspirada por esse dado frustrante, a Kauffman Foundation produziu um relatório chamado “Guidelines for Local and State Governments to promote entrepreneurship” (Diretrizes para governos locais e Federais promoverem o empreendedorismo, em tradução livre). O documento foi escrito tendo por base lições dos programas de apoio ao empreendedorismo da fundação. Eis, a seguir, algumas das descobertas mais interessantes.

Governos locais e federais deveriam parar de apoiar duas más ideias: capital de risco com fundos públicos e incubadoras de empresas

a) Capital de risco com fundos públicos tem um histórico ruim. Administrar fundos de investimento é arriscado e desafiador, ainda mais um que seja financiado pelos contribuintes. A maioria dos fundos fracassa e aqueles que não falham tendem a gerar uma taxa de retorno menor do que a média da bolsa de valores. Isso, junto à falta de especialização no setor de capital de risco dos funcionários públicos, torna o uso desses fundos em capitais de risco particularmente questionável.

b) Centros públicos de incubação de empresas também têm desempenho fraco. Há um conceito crescente de que incubadoras de empresas públicas estão preparadas para preencher todas as necessidades dos empreendedores em relação a investimentos. Mas elas raramente conseguem isso – a menos que uma startup necessite de equipamentos caros, incubadoras físicas não as ajudam, apenas mantêm vivas empresas que não sobreviveriam de outra maneira.

Governos locais deveriam aumentar o apoio a programas com alto desempenho: construção de redes de articulação e adesão de acordo com o estágio

a) Promover conexões e aprender como os empreendedores alavancam o potencial regional. O maior conselho da Kauffman Foundation’s é focar nas pessoas dirigem as empresas e que  interagem umas com as outras. Empreendedores gostam de aprender com outros do mesmo ambiente de negócios, mas geralmente acham difícil fazer networking para criar essas conexões. É aí que os governos locais podem ajudar ao promover eventos e outras plataformas para reunir empreendedores.

b) Organizar comunidades de negócios de acordo com os diferentes estágios de empreendedorismo oferece uma ajuda ainda mais relevante. Os programas públicos deveriam direcionar as empresas às comunidades que preenchessem melhor suas necessidades. Enquanto os encontros com outras empresas no mesmo estágio de desenvolvimento (nascent venturesstartups, ou scale-ups) pode facilitar o aprendizado técnico e a inovação, encontros com empresários mais experientes ajudam os empreendedores a encontrar mentores, investidores e inspiração.

Abordagens horizontais funcionam melhor do que as estratégias verticais

Não é uma coincidência que ambas as más ideias descritas acima são estratégias verticais, concebidas nas mentes dos políticos e impostas às indústrias que deveriam se beneficiar dessas novas instituições. É interessante notar também que as ideias recomendadas são abordagens horizontais. Como já foi demonstrado em outros estudos, o poder do empreendedorismo está nas conexões entre as empresas: inspiração, mentoria, investidor anjo (angel investment), empreendedor em série (serial entrepreneurship) e employee spin-off (surgimento de uma nova empresa depois da cisão de um ou um grupo de ex-funcionários de uma empresa já existente). Para aproveitar tais conexões, programas de apoio bem-sucedidos deveriam concentrar seus esforços em reunir as empresas.

*Artigo originalmente publicado pela Endeavor Insights.


leia também

comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: