Os dez eventos que agitarão o mercado em março

O dólar iniciará uma disparada após a superação dos R$ 3?

Por Infomoney

Os dez eventos que agitarão o mercado em março

A BM&FBovespa viveu em fevereiro seu melhor mês desde janeiro de 2012, com o Ibovespa subindo 9,97% e virando para o positivo no acumulado deste ano. O "rali de Carnaval" teve como grandes aliados a euforia dos investidores estrangeiros – com as bolsas internacionais renovando máximas históricas embalados pelos novos estímulos anunciados na Europa – e com os sinais de confiança emitidos por Joaquim Levy no Ministério da Fazenda. Contudo, o noticiário também teve uma série de notícias preocupantes, em especial pela Petrobras e o rebaixamento de seu rating e o agravamento nas perspectivas para a economia brasileira, que pode trazer um cenário pior que o esperado se os problemas com o racionamento e o contágio do escândalo da Operação Lava Jato em outros setores torne ainda mais nebuloso o horizonte do país. Mas o que esperar para março? A Bolsa terá forças para seguir em alta ou a disparada de fevereiro foi apenas um respiro antes de novas quedas? E o dólar iniciará uma disparada após a superação dos R$ 3? O Infomoney listou os dez principais eventos que devem agitar o mercado financeiro neste mês. Confira:

1) Racionamento vem aí?
Não é apenas a agenda econômica que guiará os mercados em março. O noticiário meteorológico certamente se juntará aos relatórios econômicos e notícias corporativas dos investidores. Analistas de mercado trabalham a ideia de que março será o limite para que o governo de São Paulo anuncie racionamento ou não. Há ainda um rumor de que caso o sistema Cantareira chegue a 14% de sua capacidade nos próximos 30 dias, o racionamento seria descartado, o que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), nega. Em fevereiro, o nível do principal reservatório da Sabesp chegou a 5,2%, mas ganhou uma sobrevida após as fortes chuvas que tiveram início no Carnaval. O impacto de um racionamento não ficaria restrito apenas às ações da Sabesp – que chegaram a cair 21%, para R$ 13,27, quando seus reservatórios bateram as mínimas do ano, se recuperaram em fevereiro e subiram 22,4%, para R$ 16,25 –, mas também toda a cadeia econômica que necessita de água e energia. O principal segmento afetado seria o industrial. No PIB, o "efeito apagão" poderia causar uma retração de 1,5% na economia. Hoje, as projeções apontam queda na faixa de 0,5%.

2) Selic: qual o limite?
Logo na primeira semana de março já saiu um dos mais aguardados indicadores do mês. Sem surpresas, o Copom decidiu elevar a Selic em 50 pontos-base para 12,75%. O comunicado foi praticamente uma cópia do que havia sido divulgado na reunião anterior, mantendo o tom lacônico e abrindo espaço para novos aumentos nas taxas de juros nas próximas reuniões. As principais apostas no mercado são de que haverá mais pelo menos uma alta de 25 pontos-base, mas outros ajustes podem vir. Para a Capital Economics, olhar para o câmbio é primordial. Se a moeda ficar muito acima de R$ 3, o Copom pode entregar mais um aumento de 50 pontos-base. Já o economista Daniel Weeks, da Garde Asset Management, afirmou que a taxa de juros pode chegar a 14% caso o dólar chegue em R$ 3,20. Na contramão do mercado, a LCA Consultores espera fim do aperto monetário no patamar atual de 12,75%. "Nos parece que o comunicado lacônico teria mais o objetivo de deixar as portas abertas para a continuidade do ajuste do que propriamente sinalizar o seu prosseguimento", explicou a consultoria em relatório. Para a instituição, o crédito já vem minguando em uma economia enfraquecida e com perspectivas de inflação em prazos mais longos reduzida. Logo, o ajuste não seria mais tão necessário. Com tudo isso em mente, o mercado lerá com especial interesse a ata do Copom que será divulgada na próxima quinta-feira (12). As expectativas são de que o documento traga indicações mais claras de como será a condução da política monetária nos próximos meses. 

3) Petrobras: e o balanço?
Após ter seu rating cortado para "grau especulativo" pela Moody's, a estatal fica na expectativa se as outras duas principais agências de classificação de risco – S&P e Fitch – seguirão na mesma direção. Um novo apoio do governo por meio dos bancos públicos é algo que continua no radar, mas nem isso pode ser o suficiente para salvar a petroleira – e esse temor já está sendo precificado no mercado de dívidas. Em relatório, os analistas do BTG Pactual disseram que a perda do grau de investimento por mais uma agência prejudicaria a capacidade de a Petrobras refinanciar grandes montantes de dívidas, levando à necessidade de uma grande capitalização. Já para o UBS, o corte do rating significa mais de 200 pontos-base no custo de financiamento da empresa com novas dívidas. O novo conselheiro da estatal, Luís Navarro, que ajudou redigir a legislação brasileira anti-corrupção durante seus dez anos no escritório da Controladoria Geral da União, terá a difícil missão de moralizar os bastidores da companhia. Se o conselheiro será bem-sucedido e se a companhia conseguirá sair do atoleiro de dívidas em que entrou, os próximos dias ajudarão a responder. Além disso, os balanços auditados do terceiro e quarto trimestres de 2014 terão de ser apresentados. Um período de tolerância em algumas das dívidas da Petrobras exige que os resultados auditados sejam lançados até o final de maio, antes de alavancar uma potencial aceleração em pagamentos. O presidente da petroleira, Aldemir Bendine, trabalha para que a companhia publique seu balanço auditado do terceiro trimestre até a primeira semana de abril, adiantou a coluna Radar, da revista VEJA. 

4) Manifestações
Também estão marcadas duas grandes manifestações de polos ideológicos diametralmente opostos com o espaço de um dia. Na próxima sexta-feira (13), manifestantes sairão às ruas para defender a Petrobras do que consideram um ataque da mídia e dos setores conservadores à maior empresa estatal do Brasil. Enquanto no dia 15, pessoas de perfis completamente diferentes ocuparão a avenida Paulista para pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).  Para o cientista político da Fundação Getúlio Vargas, Marco Antonio Carvalho Teixeira, o primeiro ato é uma solidariedade ao governo, pois encampa as bandeiras do PT de que a oposição quer privatizar a Petrobras e que há uma conspiração em andamento para dar um golpe. Já a manifestação do impeachment seria uma grande incógnita, pois agregará pessoas de perfis muito diferentes, que vão desde os que pedem intervenção militar até quem quer impeachment sem saber muito bem o que isso quer dizer. Tudo dependerá, segundo Teixeira, das proporções que tomará o ato que pede a saída da presidente. "Se vier pouca gente, ele pode mostrar que o movimento não é tão forte assim. Agora se ele trouxer muita gente, poderá pressionar ainda mais um governo que já está pressionado", aposta. O Planalto já sofre com o mal-estar causado pela devolução da Medida Provisória 669, das desonerações, pelo presidente do Senado, Renan Calheiros. Um protesto de grandes proporções contra a administração atual prejudicaria ainda mais a governabilidade da atual gestão. De acordo com informação da Folha de São Paulo, os organizadores do protesto esperam levar 100 mil pessoas à marcha pelo impeachment. Como nos dois últimos anos, 2015 será um ano de muita influência da política na economia e vice-versa. 

5) Brasil: PIB e inflação
O PIB do quarto trimestre e do ano de 2014 será divulgado no dia 27 de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Se confirmada a tendência do último IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), calculado pelo Banco Central (BC) e considerado uma prévia do indicador, deverá mesmo haver um recuo. O último dado do PIB foi de retração de 0,15% no ano passado em comparação com 2013. Para o acumulado deste ano, as projeções não são mais otimistas. A mediana dos analistas e economistas do mercado esperam um recuo de 0,58%, de acordo com o último Boletim Focus do Banco Central.  Já para a inflação, o aumento de 1,22% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), veio acima do esperado pelo mercado. A equipe econômica da Rosenberg Associados, por exemplo, esperava que a variação viesse perto dos 1,07%. Em 12 meses, o índice chegou a 7,7%, superando, e muito, a meta estabelecida pelo BC, atualmente em 6,5% ao ano. O número já converge para o cenário previsto por economistas do Credit Suisse, que revisaram recentemente a sua projeção de inflação para o fim de 2015 para 8%. 

6) Fitch e S&P: visita ao Brasil
As agências de risco Fitch e Standard & Poor's virão ao Brasil em breve para conversar com a equipe econômica e revisar a nota de crédito do país. De acordo com informações da Agência Estado, representantes da S&P chegarão nesta semana, permanecerão em Brasília entre os dias 4 e 5, e depois passarão por São Paulo e Rio de Janeiro. Já os representantes da Fitch virão entre os dias 16 e 20.

7) Taxa de juros dos EUA: quando sobe?
No cenário internacional, o principal evento econômico fica com a reunião do Federal Open Market Committee (Fomc), que terminará no dia 18. As taxas de juros por lá estão atualmente na banda de 0% a 0,25%, lembrando que os juros básicos na economia americana não são fixados em uma meta exata como ocorre aqui. O mercado espera indicações claras do Fed a respeito de política monetária, em meio a intermináveis debates sobre quando a maior economia do mundo deverá subir seus juros pela primeira vez desde 2006. Para o economista da Guide Investimentos, o Federal Reserve mudará a comunicação já na próxima reunião ao tirar a expressão "paciente" do seu comunicado. Os dados de emprego de fevereiro, divulgados na sexta-feira (6), aumentaram ainda mais as apostas de que a elevação virá logo. A taxa de desemprego foi de 5,7%, a 5,5%, ante uma expectativa de 5,6%. Já a criação de empregos ficou em 295 mil, contra 239 mil em janeiro, enquanto o mercado esperava que ficassem em 240 mil.  Um aumento das taxas de juros nos Estados Unidos elevará o retorno dos títulos da dívida norte-americana, tidos como os mais seguros do mundo. Com isso, deverá ocorrer uma retirada de capitais dos ativos de risco, principalmente nas economias emergentes. Vale lembrar que a participação dos investidores estrangeiros na bolsa brasileira é muito alta, tendo respondido por 52% do giro negociado na BM&FVovespa em fevereiro, segundo o balanço de operações divulgado pela própria bolsa.  

8) Europa
Na Europa, a agenda do mês fica por conta da reunião do Banco Central Europeu, que ocorreu na quinta (5). A taxa de juros na zona do euro foi mantida nas mínimas históricas, a 0,05% ao ano. O verdadeiro destaque, no entanto, ficou com a fala do presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi. Ele afirmou que o programa de compra de ativos de países da região avaliado em 60 bilhões de euros por mês começará nesta segunda (9), O objetivo dessa nova medida de estímulos é aumentar a disponibilidade de moeda na zona do euro, tal qual foi feito nos Estados Unidos, onde o programa foi chamado de "Quantitative Easing".  Draghi também elevou a previsão do PIB para 1,5% em 2015; 1,9% no próximo ano e 2,1% em 2017, surpreendendo analistas. O economista espanhol Ignácio Crespo, por exemplo, via como improvável que o BCE mudasse as perspectivas econômicas por enquanto devido à queda da inflação e às indefinições no cenário das renegociações da dívida da Grécia. 

9) China
O grande destaque da China para o mês será o PMI industrial, que costuma ser bastante acompanhado pelo mercado por servir como um "termômetro" sobre como está a situação econômica por lá. Os investidores costumam reagir positivamente a dados mais fortes, uma vez que significam que a atividade industrial está avançando e que, portanto, há crescimento. Como o Brasil, e principalmente a Vale, exportam minério de ferro e outras commodities para a China, os indicadores também são refletidos nos mercados aqui. 

10) Dólar: o céu é o limite? 
No primeiro fechamento de fevereiro, o dólar comercial estava cotado a R$ 2,7152. Atualmente, a moeda já superou os R$ 3,05. Depois de subir nos últimos meses por conta da deterioração do cenário econômico, especialmente após o déficit primário de 0,6% do PIB registrado no ano passado, o câmbio ganhou um motivo a mais para se depreciar. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou que o governo não tinha a intenção de manter o real artificialmente valorizado, pondo em cheque as operações diárias de Swap cambial que vinham sendo feitas pelo BC. No atual cenário, já há quem veja o câmbio a R$ 3,50 no futuro. Segundo o analista da Empiricus, Roberto Altenhofen, o dólar de equilíbrio no longo prazo, ou seja, aquele que vai equilibrar o déficit em conta corrente, seria em torno dos R$ 3,10. O ideal seria a moeda chegar neste patamar e se estabilizar, mas isso se não houvesse nenhum problema na economia ou nos fundamentos. "Contando com pressões pontuais de fluxo relacionadas, por exemplo, ao fim dos estímulos e subida de juros nos Estados Unidos, o dólar poderia sim passar desse valor, podendo buscar algo próximo de R$ 3,50 com a chance de overshooting [reação excessiva alimentada pelos elementos de fluxo]", reiterou Altenhofen em relatório.



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