Ibovespa fecha a semana em queda de 0,8% e dólar vai a R$ 3,05

Hoje a JPMorgan também rebaixou recomendação dos títulos da Petrobras

Por Infomoney

Ibovespa fecha a semana em queda de 0,8% e dólar vai a R$ 3,05

O Ibovespa fechou em baixa nesta sexta-feira (6), depois que o relatório de emprego nos Estados Unidos veio melhor do que as estimativas, aumentando a probabilidade de um aumento dos juros nos Estados Unidos antes do que era esperado. O presidente do Fed de Richmond, Jeffrey Lacker, um dos membros votantes do FOMC (Federal Open Market Comittee), disse querer que os juros subam já em junho, o que tornou tudo pior para o cenário dos mercados de capital de risco. O índice fechou em queda de 0,76%, a 49.981 pontos. Foi a sétima queda em 8 pregões e, com ela, o benchmark devolveu um terço da alta de fevereiro, voltando ao patamar de antes do Carnaval. Ao mesmo tempo, o dólar subiu 1,49%, a R$ 3,0565, também refletindo esse aumento nas apostas de que o Fed elevará os juros mais cedo por conta dessa melhora da economia. Os juros DI para janeiro de 2017 subiam 28 pontos-base, para 13,44%. O volume financeiro negociado foi de R$ 5,307 bilhões. As bolsas dos Estados Unidos não ficavam atrás da Bovespa nas perdas e caíam entre 1,11% e 1,52%. O dia ainda foi marcado pela notícia dada pelo JPMorgan. O banco rebaixou a recomendação que tem para os títulos da Petrobras. Embora estime que a estatal não precisará emitir dívidas neste ano, a instituição acredita que a companhia vai precisar de US$ 20,6 bilhões a US$ 34,9 bilhões em financiamento entre 2016 e 2017. Ele também cortou a recomendação que tem para a dívida soberana brasileira.

Segundo a equipe de análise do banco, a recomendação da estatal foi rebaixada para neutra por não considerarem mais atrativa a relação de risco entre valorização e desvalorização, já que se a companhia entregar o balanço auditado do quarto trimestre, isso será um catalisador dos papéis, mas se não for entregue, o risco de default pode levar a uma desvalorização ainda mais forte. Para eles, se a empresa entregar o balanço, os spreads dos papéis podem ter um rali de mais de 50 pontos base, mas, se não for entregue, os spreads podem subir ainda mais, em torno de 300 pontos base. "O comportamento dos spreads vai depender da capacidade da empresa em fornecer informações financeiras e, se for o caso, o nível de apoio do governo", comentam os analistas.

Para os títulos brasileiros, eles cortaram a recomendação para underweight (exposição abaixo do mercado), citando riscos dos fundamentos macro agravados pela incerteza do impacto da Petrobras sobre o soberano, o que provavelmente levaria a spreads maiores contra seus pares nos próximos meses. Para a análise, eles consideram ainda o cenário de inflação mais alta, desaceleração do crescimento econômico, aumento do déficit em conta corrente e a erosão das contas fiscais nos últimos anos. Os analistas veem ainda uma pressão maior sob os bancos públicos, por serem controlados pelo governo. Eles estimam que os cinco maiores bancos brasileiros, excluindo o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), podem prover R$ 70,9 bilhões em financiamento para a estatal, mas salientam que as condições de concessão de empréstimos agora seria provavelmente mais rigorosa, com mais garantias e taxas de empréstimos mais elevadas.

A taxa de desemprego na maior economia do mundo caiu de 5,7% para 5,5%, com a criação de 295 mil novas vagas ante uma estimativa de 240 mil. Com isso, fica cada vez mais próximo um aumento na taxa de juros pelo Federal Reserve. Isso elevará o retorno dos títulos da dívida norte-americana, tidos como os mais seguros do mundo. Com isso, deverá ocorrer uma retirada de capitais dos ativos de risco, principalmente nas economias emergentes, pelo investidor estrangeiro. Vale lembrar que a participação dos estrangeiros na bolsa brasileira é muito alto, chegando a 52% das movimentações, segundo o balanço de operações divulgado na quinta-feira (5) pela BM&FBovespa. Além do noticiário externo, a Bolsa também refletiu que o medidor oficial de inflação, o IPCA saiu com um avanço de 1,22% em fevereiro após alta de 1,24% em janeiro. Com isso, o índice em 12 meses já chega a 7,7%, bem acima do teto da meta do governo de 6,5% ao ano (veja mais detalhes aqui).

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 9,09, -1,3%; PETR4, R$ 9,24, -0,43%) caíram após notícia de que a estatal pode cortar pela metade a encomenda de 28 sondas à Sete Brasil, devido à falta de dinheiro em caixa e das dificuldades para levantar financiamento com o endividamento atual. Ainda na noite de quinta, a estatal informou ao mercado que o juiz da causa movida contra a estatal em Nova York nomeou Universities Superannuation Scheme como autor líder da ação conjunta. Ainda de acordo com comunicado da petrolífera, no sábado (7) será realizada uma teleconferência entre o juiz, a Petrobras e o autor líder para agendar as próximas etapas do processo. 

Os papéis da Vale (VALE3, R$ 19,59, +0,46%; VALE5, R$ 17,10, +0,94%) subiram apesar da queda nos preços do minério. A cotação da commodity ainda sofre com a previsão de que a economia chinesa crescerá "apenas" 7% em 2015, a menor projeção em 11 anos. Os papéis do setor financeiro seguiram o mau humor do mercado e caíram forte nesta sexta-feira. Destaque para os grandes bancos: Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 35, -2,67%), Bradesco (BBDC3, R$ 35,54, -1,28%; BBDC4, R$ 35,88, -1,21%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,00, -2,4%) e Santander (SANB11, R$ 13,97, -2,17%). 



leia também

comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: