Mercado classifica balanço da Petrobras como fraco

Valorização do dólar deve afetar negativamente o endividamento

Por Infomoney

Mercado classifica balanço da Petrobras como fraco

A Petrobras (foto) divulgou os resultados do segundo trimestre, reportando um lucro líquido atribuído aos acionistas de R$ 531 milhões no segundo trimestre deste ano – uma queda de 90% ante o trimestre anterior, quando a companhia teve lucro de R$ 5,3 bilhões. A média de sete analistas compilados pela Bloomberg era de lucro de pelo menos R$ 4,5 bilhões. Por outro lado, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) atingiu R$ 19,7 bilhões, acima dos R$ 19 bilhões esperados pelos analistas – uma queda de 6% ante os três primeiros meses deste ano, mas acima dos R$ 16,2 bilhões de um ano antes.

Um dos destaques negativos, segundo analistas, foram as baixas não-recorrentes. Os números da companhia foram prejudicados por fatores não operacionais, como o reconhecimento de mais R$ 1,2 bilhão em impairment [baixa de ativos], além de nova contingência de R$ 2,8 bilhões referente a processos sobre a incidência de IOF das suas controladas no exterior nos anos de 2007, 2009 e 2012. A nova provisão se soma a outra anunciada em 16 de julho, de R$ 1,4 bilhão. Os números da companhia ficaram abaixo das expectativas por conta destes fatores não recorrentes. "Excluídos esses efeitos, a companhia apresentou um forte desempenho operacional, acima do projetado em nossa prévia operacional", afirma a Gradual Investimentos. Por outro lado, a corretora destacou que a estatal apresentou um forte desempenho operacional, acima do projetado.

Os resultados operacionais foram ligeiramente melhores do que o esperado, confirma o Santander. Eles foram puxados por uma melhora trimestral no segmento upstream [parte da cadeia produtiva que antecede refino, abrangendo exploração, desenvolvimento, produção e transporte para beneficiamento], assim como resultados saudáveis no segmento downstream [logística da distribuição e transporte dos produtos da refinaria até os locais de consumo].

Porém, o futuro não parece muito promissor, segundo os analistas Christian Audi e Gustavo Allevato, do Santander. “No entanto, olhando à frente, esperamos que a combinação desfavorável de preços menores do petróleo e depreciação do real limite ainda mais o potencial para reajustes de combustíveis, gere resultados operacionais de upstream sem brilho e aumente o endividamento da companhia", avaliam.

Mais pessimista, Auro Rozenbaum, analista do Bradesco BBI, classificou o balanço como fraco, apesar de alguma evolução com a redução dos custos. "Fomos surpreendidos negativamente pelas despesas financeiras, assim como com o impacto cambial”, destaca. “Contudo, do lado operacional, houve alguma melhora em custos, assim como um efeito positivo relacionado a estoques, que suavizaram altas de preços do Brent e o impacto negativo do câmbio em COGS (Custo dos Produtos Vendidos). Esse efeito deve ser negativo no terceiro trimestre”, observa Rozenbaum.

De acordo com o Itaú BBA, o resultado precisa ser olhado com alguma cautela, já que a depreciação do real frente ao dólar deve afetar negativamente o endividamento da estatal no próximo trimestre. Os analistas também acham improvável uma sustentável geração de caixa positiva, quando os investimentos voltarem a seus níveis recorrentes.



leia também

Ações da Petrobras fecham abaixo de R$ 5 pela primeira vez em 13 anos - O Ibovespa encerrou o dia no menor nível desde março de 2009, no auge da crise do crédito imobiliário nos EUA

Acordo de leniência da Braskem avança - No ano passado, a petroquímica iniciou investigações internas

Aumento de combustíveis "é só um paliativo" - Para Flávio Conde, decisão não resolve o problema da Petrobras

BM&FBovespa tem quinto dia seguido de queda - O movimento negativo foi puxado pela Petrobras

Bolsa encerra janeiro com queda de 7% - O dólar fechou o primeiro mês do ano com alta de 1,9%

Braskem negocia acordo com Justiça dos EUA - Petroquímica é alvo de ação coletiva por irregularidades

comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: