Crise política faz dólar disparar

Com sexta alta seguida, moeda alcançou cotação de R$ 3,53

Da Redação

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Crise política faz dólar disparar

O dólar comercial teve a sexta alta seguida ante o real e terminou esta quinta-feira (6) a R$ 3,537, uma elevação de 1,4%. É o maior patamar desde 5 de março de 2003. Durante o dia, a moeda chegou a atingir a cotação de R$ 3,57. Entre as divisas emergentes, o real foi que sofreu maior desvalorização. Em entrevista ao Valor PRO, o diretor de política monetária do Banco Central (BC), Aldo Mendes, declarou que “o preço do dólar está claramente esticado” e que falta “racionalidade” aos agentes de mercado. Para ele, a alta demanda pela moeda norte-americana pode representar um risco potencial de perda no médio prazo.

Os operadores do mercado financeiro creditaram a alta do dólar nesta quinta-feira à turbulenta situação política-econômica brasileira. A procura pela moeda, considerada como "porto seguro" para os investidores, aumenta a cada instabilidade na economia nacional. Pela manhã, uma pesquisa do Datafolha revelou que 71% dos brasileiros entrevistados consideram o governo de Dilma Roussef como ruim/péssimo. Outros 66% acreditam que o Congresso Nacional deveria abrir processo de impeachment contra a presidente. Para acentuar a crise, o governo federal sofreu uma derrota importante na Câmara dos Deputados, que aprovou, na quarta-feira (5), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reajusta os salários de servidores e gera despesa adicional de R$ 2,4 bilhões ao ano para a União. A pauta aprovada compromete os planos de ajuste fiscal do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

O ambiente estremecido do Planalto respingou também no desempenho do Ibovespa. O índice da principal bolsa de valores do Brasil, a Bovespa, caiu 0,5%, fechando com 49.998 pontos. Apenas 16 empresas das 66 listadas no Ibovespa apresentaram crescimento. Entre elas,  as ações da Braskem, Petrobras e a Vale conseguiram se manter à parte do cenário político e estiveram entre as maiores altas do dia. Segundo analistas, parte da explicação para o incremento se deve à desvalorização do real, o que tornaria as ações das blue-chips brasileiras mais atraentes para investidores estrangeiros.



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