Ibovespa fecha em queda com tensão política no radar

Insatisfação popular pode complicar esforço para restaurar a confiança

Por Infomoney

Ibovespa fecha em queda com tensão política no radar

O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira (19) com correção depois de alívio do último pregão motivado pela decisão do Fomc (Federal Open Market Comittee). Não bastasse o movimento de correção e as tensões políticas depois da demissão do ministro da Educação, Cid Gomes, a presidente Dilma Rousseff (PT) negou uma reforma ministerial, frustrando expectativas do mercado.  O benchmark fechou em baixa de 1,11%, a 50.953 pontos. Já o dólar comercial subiu 2,56%, a R$ 3,2965, na venda. O volume financeiro negociado no pregão foi de R$ 5,7 bilhões. Para a equipe de gestão de patrimônio da Claritas, a queda no pregão se dá principalmente por conta da tensão política. "Achamos que a meta fiscal é difícil de ser atingida com um governo enfraquecido e que nem todas as medidas irão passar", afirma. Além disso, para a equipe, muitos fundos e grandes investidores que estavam vendidos se reposicionaram no meio da euforia do Fomc e hoje já veem que, pelo menos no cenário doméstico, as notícias continuam desfavoráveis ao apetite por risco.

Também teve impacto no mercado as declarações da agência de rating, Moody's. A LCA Consultores lembrou em relatório que a Moody's vê a insatisfação popular e política como fatores que podem complicar os esforços do governo para restaurar a confiança do consumidor e empresário, além de dificultar a consolidação fiscal no Congresso. "Estes elementos são considerados como críticos para a melhora da qualidade do crédito do país", diz a consultoria. A classificação do Brasil na Moody's é Baa2 (duas notas acima do grau especulativo) com perspectiva negativa. Outra agência classificadora de risco, a Fitch, está atualmente no Brasil para avaliar o rating do país, atualmente em BBB. Membros da Fitch já se reuniram com Levy e nesta quinta se encontraram com membros do Banco Central. O diretor de fiscalização do BC, Anthero Meirelles, disse que a reunião com a agência foi de rotina.

Ações em destaque

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 8,69, -4,4%; PETR4, R$ 8,90, -3,9%) viram desvalorização. A reunião do Conselho de Administração da estatal foi adiada do dia 23 para 26 de março, afirmou uma fonte com conhecimento direto do assunto à Reuters. A pauta ainda não foi enviada aos conselheiros, que aguardam para saber se há a possibilidade de a reunião incluir assuntos relacionados à publicação do balanço da companhia. A fonte não soube informar o motivo do adiamento. As ações do setor educacional, que tinham alta pela manhã, viraram para queda mesmo com a notícia da saída de Cid Gomes do Ministério da Educação. A demissão pode trazer um alívio para o setor de ensino superior, que vinha travando um embate por conta das novas regras do Fies (programa de financiamento estudantil). Segundo matéria do Valor, representantes do setor reclamavam da ausência do ministro em reuniões para negociar as novas regras do programa. Na Bolsa, destaque para as ações da Kroton (KROT3, R$ 10,30, -6,3%) e da Estácio (ESTC3, R$ 15,80, -5,3%).

Ainda no radar da Kroton, a empresa reportou seu resultado nesta manhã. O lucro líquido ajustado mais que dobrou no quarto trimestre, para R$ 335,4 milhões, ante R$ 137,8 milhões no mesmo período do ano anterior. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da empresa subiu 131,2%, para R$ 400,3 milhões. Em teleconferência, a empresa disse que vê o Fies voltando a normalidade em 2017, ressaltando que esse ano deverá haver uma piora significativa. Já na ponta positiva, os papéis das exportadoras lideraram os ganhos do Ibovespa nesta sessão em meio à escalada do dólar. Ações das empresas de papel e celulose Suzano (SUZB5, R$ 14,40, +5,9%), Fibria (FIBR3, R$ 42,01, +3%) e Klabin (KLBN11, R$ 17,50, +0,5%). Um pouco mais abaixo estiveram os papéis da fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3, R$ 25,57, +1,3%).

Cenário externo

As bolsas asiáticas tiveram a melhor sessão em 18 meses nesta quinta-feira com investidores precificando um início mais tardio e um ritmo mais lento para futuras elevações do juro nos Estados Unidos. "Não havia nada no comunicado que sugeria que o Federal Reserve esteja tendendo uma alta (do juro) em junho", disse a economista-chefe para do RBS para os Estados Unidos, Michelle Girard. "Os acontecimentos nos deixaram mais confortáveis com nossa previsão oficial da primeira alta no juro acontecendo em setembro", previu.

De acordo com a LCA Consultores, tendo em vista o cenário benigno para a inflação, mesmo com o mercado de trabalho mais próximo do seu nível considerado como de equilíbrio de longo prazo, são grandes as chances de o início do ajuste da fed funds rate começar no final do terceiro trimestre ou nos últimos três meses do ano. Além disso, o ajuste do juro básico se dará de forma bem gradual, sendo que o patamar de longo prazo (3,75%) não seria atingido antes de 2018. Já na Europa, circulou a notícia de que a Grécia tem dinheiro suficiente para quitar a última parcela de um empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) a tempo na sexta-feira, segundo uma autoridade do governo em Bruxelas, onde o primeiro-ministro Alexis Tsipras participava de uma cúpula da União Europeu. Os índices europeus fecharam em leve alta.

 Com Reuters



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