A gradativa transformação do Festuris

Evento envolve bandeiras – como a legalização dos cassinos

Por Eugênio Esber

eugenioesber@amanha.com.br

Festuris transcende os limites do Sul e envolve, além de negócios, bandeiras – como a legalização dos cassinos

Durante décadas, Marta Rossi ouviu cumprimentos pelo crescimento da feira e festival de turismo que ela fundou ao lado de Silvia Zorzanello 31 anos atrás – mas os elogios sempre eram acompanhados, direta ou sutilmente, por uma ressalva. Aparentemente, a 31ª edição do Festuris encerrada no  dia 9 de novembro, no Serra Park, em Gramado (RS), estabeleceu uma linha de corte e inaugurou um ciclo novo e mais ambicioso da feira promovida pela Rossi & Zorzanello. 

“Quebramos uma barreira”, anunciou o sócio de Marta, Eduardo Zorzanello (filho de Silvia, falecida em 2010), no encerramento.  “Esta foi a melhor e mais internacional de nossas edições. Quem pensava que o Festuris é um evento regional está enganado”, sustentou Zorzanello, apoiando-se em duas estatísticas.  A primeira é o recorde de participação internacional: 65 destinos do exterior apresentaram seus atrativos nos pavilhões do Serra Park, um centro de eventos com 28 mil metros quadrados construído em um parque distante menos de cinco quilômetros do centro de Gramado. “Aqui no Festuris eu consegui tomar um café na Etiópia e depois comer um doce de coco na Bahia em menos de 30 minutos”, brincou Marta.

O segundo número que Zorzanello pinçou de suas anotações é um percentual. “Hoje, mais de 35% do público visitante vem de fora da Região Sul e de São Paulo. E do total de 17 mil inscritos no Festuris – o que inclui 10 mil profissionais do trade turístico –, 7% vieram de fora do Brasil.”  Na contabilidade do evento, 2.700 marcas estiveram em exposição nos estandes, 5% a mais do que a 30ª edição, em 2018. 

A orientação para negócios teve ajuda importante da tecnologia. Marcus Rossi, o sócio da Rossi & Zorzanello que concebeu e dirige o Gramado Summit, evento da casa voltado para conectar startups e investidores, liderou a implantação de um aplicativo para agendamento de reuniões de negócios entre visitantes e expositores do Festuris.  Mais de 4 mil conversas foram agendadas por intermédio do aplicativo lançado este ano, número quatro vezes superior ao histórico de agendamentos de edições recentes. Marcus fez questão de informar que o desenvolvimento do aplicativo se serviu de talentos locais e ferramentas que não são nenhum bicho-de-sete-cabeças. “Isso mostra o extraordinário potencial que a tecnologia traz para o desenvolvimento dos players do turismo, desde que seja vista como importante aliada que é para os negócios”, assinalou Marcus, um contumaz crítico da postura tímida de agências e operadores de turismo em relação ao uso da tecnologia, vista muito mais como ameaça do que como oportunidade.

Legalização dos cassinos
A transformação do Festuris não se evidencia apenas no tamanho do evento ou na diversificação de visitantes e destinos turísticos de dentro e de fora do Brasil. Aos poucos, a grade de painéis, palestras e rodadas de negócios vai tecendo uma rede de encontros e articulações para defender interesses do turismo, que o presidente da Embratur, Gilson Machado, definiu como o “petróleo do futuro”.  Ele fez a defesa da legalização dos chamados “jogos de azar” no Brasil, e este item fez parte da “Carta de Gramado”, lida na noite de abertura do Festuris, em 7 de novembro, pelo deputado Newton Cardoso Júnior, presidente da Comissão de Turismo da Câmara. Entre os dez itens da “Carta”, consta “Apoio à legalização dos jogos no Brasil, especialmente os cassinos”.

Gramado é candidata a receber um cassino caso a legislação autorize a entrada em operação de casas de jogos. Filhote do Festuris, o Fórum Gramado de Estudos Turísticos debateu, já em sua primeira edição, em 2018, as possibilidades de liberação dos jogos no Brasil e qual o perfil de cassino que Gramado deveria atrair, na visão do presidente do Instituto Jogo Legal, Magnho José. 


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