Uma escala em Casablanca

Hoje a rota da Royal Air Maroc é servida três vezes por semana num confortável Boeing 787-9

Por Fernando Dourado Filho, de Casablanca (Marrocos)

Boeing 787 da Royal Air Maroc

Nunca mais quero repetir a experiência de simplesmente escalar aqui em Casablanca, entre dois voos da Royal Air Maroc, e não me permitir sequer um pernoite na cidade. Não, isso jamais. É doloroso saber que aqui tenho meu bom amigo Hassan El-Amrani, que conheço desde 1985, e sequer poderei sair para saudá-lo e, melhor ainda, para fazer um passeio de carro nas alamedas ornadas de palmeiras majestosas, que são para mim uma das coisas mais belas da cidade. Do avião, chegando de Lisboa, deu para ver a região costeira com nitidez devido ao bom tempo. Lá estava a maior mesquita do mundo e o mar espumante do boulevard de la Corniche, onde meu amigo e sua família costumavam me levar para comer um loup de mer divino no Le Cabestan. 

Aos que vão à Europa e que saem do Sudeste brasileiro, recomendo o voo da Royal Air Maroc para quem quer aproveitar uma boa tarifa (depende da época) e conhecer o Marrocos. Casablanca não é por certo a cidade com que todos sonham quando se fala do país, mas é a porta de entrada para que se explore o interior, cujo ponto alto está pontuado pelas cidades de Fes e Marraquexe. A exemplo do que fazem muitos europeus, eis um país onde eu viveria com bastante alegria. Numa encruzilhada civilizacional fascinante, visto que está debruçado sobre a África subsaariana, apenas uma hora separa as principais cidades de Lisboa ou de Sevilha. Já nem falo de Paris, que conta com inúmeros voos, e da costa leste da América do Norte.  

Mas hoje não vou falar do Marrocos, lugar a que já fiz referência algumas vezes neste blog. Prefiro referir-me, em espacial, à companhia aérea e à importância que teria para os que viajam muito a manutenção da rota da Royal Air Maroc. Lembro que pegava muito seu mini-jumbo nos anos 1980 para ir de Guarulhos a Casablanca. Naquela época, os compromissos profissionais me retinham por três dias no país e chegava à Europa já adaptado a fusos e pronto para as longas rodadas de negociação daqueles tempos em que ia a vários países numa só viagem. Hoje a rota é servida três vezes por semana, com tendência a passar para quatro, num confortável Boeing 787-9, um dos aviões mais silenciosos da atualidade. 

Sei que há arranjos para que passageiros pernoitem em Casablanca sem acréscimo de tarifa, o que é sempre tentador. A bordo, o serviço é esforçado, mas é claro que pode melhorar. Tudo depende de pegar os comissários certos. Se esse critério é válido até para empresas de alto padrão de uniformidade e de excelente desempenho, como desprezar a sorte numa empresa que ainda está em vias de consolidar-se como o coração de um grande "hub"? Mas com jeito se consegue tudo. Com esses voos, completo o périplo dos "hubs" africanos do ano, ou seja, depois de ter voado Cabo Verde Airlines, Ethiopian e, em outra circunstância, Latam – já que a viagem à África do Sul não se pretenda escala para chegar à Europa mais barato. 

Da próxima vez, Casablanca não me escapa.


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