China, Índia & Cia. chegam ao Brasil: veja o tamanho desta oportunidade

Reunião dos BRICs em Brasília é um evento que não pode ser subestimado sob pena de perdermos o trem da história

Por Milton Pomar

A realidade é que a China hoje é mais importante do que nunca para o Brasil do ponto de vista econômico

O Brasil sediará pela terceira vez uma reunião de cúpula do BRICs, dessa vez com o lema “Crescimento Econômico para um Futuro Inovador”, a esperada participação dos presidentes da Rússia, Índia, China e África do Sul, e programação intensa, focada para variar nas questões comerciais e de financiamentos. Em 2019, a 11ª cúpula será presidida pelo Brasil, que definiu como prioridades da cooperação entre os cinco países a aproximação entre o Conselho Empresarial e o NDB (New Development Bank), instituições criadas pelo próprio BRICs; as áreas de ciência, tecnologia e inovação; a economia digital e o combate aos ilícitos transnacionais.

Antes do evento maior com os presidentes, dias 13 e 14 de novembro, ocorrerão vários outras reuniões preparatórias e/ou relacionadas, de cooperação interbancária (na sede do BNDES, no Rio de Janeiro), dos ministros de energia, do Conselho Empresarial (Cebrics) e de nove grupos de trabalho. Há a promessa de inauguração da sede do escritório regional do NDB para as Américas, em São Paulo. E a esperança brasileira, com essa sede no país, de aumento da liberação de financiamentos (China e Índia concentraram até agora dois terços do total emprestado pelo NDB).

As coincidências da visita da comitiva presidencial brasileira à China, em outubro, e poucos dias depois a vinda ao Brasil de comitiva presidencial chinesa, em um contexto de crise comercial dos Estados Unidos com a China, de aumento expressivo da compra de carnes bovina e suína pelos chineses, de manutenção do bloqueio norte-americano às importações de carne bovina do Brasil, e de solitária participação chinesa no recente leilão do Pré-Sal, inevitavelmente criam uma grande expectativa sobre a participação do nosso maior parceiro comercial (há dez anos!) nessa reunião de cúpula do BRICs em Brasília. 

Ainda que alguns não gostem, a realidade é que a China hoje é mais importante do que nunca para o Brasil do ponto de vista econômico, para o bem e para o mal – por sua participação expressiva na balança comercial, pelos investimentos e financiamentos crescentes, e pelas importações cada vez maiores de manufaturados. Por exemplo, o que seria do pujante setor agropecuário brasileiro nos últimos 15 anos, se não fossem as importações crescentes da China? E o que restará da indústria brasileira, se ela continuar perdendo espaço para a chinesa? 

Dada a sombra permanente sobre a economia mundial de nova crise – ou de continuação da de 2008, que ainda não estaria totalmente superada –, é animador que o Brasil participe desse grupo de países com os quais mantém relação de complementaridade na questão alimentar e com os quais pode conseguir significativos aportes financeiro e de ciência, tecnologia e inovação. Para isso, precisamos saber o que queremos e ter muitos e bons projetos. Rússia, China e Índia possuem malhas ferroviárias duas a cinco vezes maiores do que a brasileira – e esse é o nosso primeiro fator limitante a ser superado para que a relação com os parceiros seja mais equilibrada em custos e preços. A China tem reconhecida experiência em construção de ferrovias e capital.

No tocante à indústria, ou o Brasil reverte a queda de 50% da participação do setor no PIB, de 1999 para cá, ou o desenvolvimento nacional ficará cada vez mais distante dos ritmos da Índia e da China – esta principalmente, porque investe para ser a maior potência tecnológica mundial. 

Uma certeza pode-se ter dessa nova reunião de cúpula do BRICs: a definição brasileira pela sua inclusão no “BRI” (Belt and Road Initiative), megaprojeto de conectividade realizado pela China, que conta hoje com quase 100 países, e do qual o Brasil ainda não faz parte. Afinal de contas, mais do que prestigiar seu maior parceiro comercial, maior comprador de produtos agropecuários e um dos maiores investidores no país, trata-se de integrar a rede comercial ferroviária e marítima que liga toda a Ásia, África, Oriente Médio e Europa com a América do Sul, e da qual o Brasil poderá fazer parte com a construção ferroviária da tão sonhada “saída pelo Pacífico”, que lhe permitirá reduzir significativamente tempo e custos. Quando isso acontecer, o Brasil será tão competitivo quanto a maioria dos seus concorrentes. Ou mais. 


comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: