“O poder público pode ser eficiente”, diz Stabile

Presidente da Sanepar palestrou em 500 MAIORES DO SUL

Por Marcos Graciani

graciani@amanha.com.br

Claudio Stabile ofereceu um contraponto à defesa de privatizações no evento que destacou as 500 MAIORES DO SUL em Curitiba

O diretor-presidente da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Claudio Stabile (foto), ofereceu um contraponto à defesa de privatizações, tônica do do painel “Brasil de AMANHÃ: Desestatizar para Crescer”. O painel fez parte da cerimônia de premiação das empresas vencedoras do ranking 500 MAIORES DO SUL, produzido com a parceria técnica da PwC, na quinta-feira (7) na ExpoUnimed, em Curitiba. O evento teve participação do Secretário Especial de Desestatização Salim Mattar (relembre aqui) e foi aberto pelo governador paranaense Carlos Massa Ratinho Junior.

Stabile, que comanda uma companhia de economia mista, com participação de capital privado, sustentou que uma estatal pode apresentar resultados bons o bastante para dispensar a necessidade de uma privatização. “Um dos mandamentos que o governador Ratinho Junior nos pedia no início do seu mandato é que tornássemos o Paraná um estado enxuto. A premissa é que não precisamos nem de um estado mínimo, nem de um estado máximo, mas sim o estado necessário. E que não atrapalhe quem quer empreender e ofereça serviços essenciais para a população”, recordou. 

Acompanhe a íntegra da cerimônia de premiação no canal do Grupo AMANHÃ no YouTube

Ele apresentou os bons resultados da empresa, que tem indicadores de abastecimento público e de coleta e tratamento de esgoto acima da média nacional. Enquanto 83,5% dos brasileiros são atendidos com abastecimento de água tratada, na Sanepar o índice é de 100%. O acesso à coleta de esgoto é de 73% na região atendida pela estatal paranaense. No país, esse indicador não passa de 52%. A Sanepar também trata todo o esgoto, enquanto no Brasil esse índice não passa de 46% em média. Da população geral de 11,5 milhões de habitantes no Paraná, apenas 150 mil não possuem tratamento e coleta de esgoto, algo que será resolvido brevemente com a universalização do serviço – uma das missões dadas pelo governador paranaense ao diretor-presidente da Sanepar. 

Na visão de Stabile, o grande diferencial da Sanepar foi ter aberto capital em bolsa. “A empresa entendeu que tinha de fazer algo diferente para avançar mais rápido”, sustentou. Ele explicou que 60,1% das ações ordinárias (que dão direito a voto) pertencem ao governo do Paraná, porém, 80% do capital é privado. “Isso muda totalmente a postura da companhia. Temos investidores em Cingapura, na França e nos Estados Unidos. A Sanepar tem hoje 55 mil acionistas, que são investidores do mundo todo”, revelou.

Ao afirmar que a companhia tem trabalhado para reduzir tarifas, citou algumas medidas que reduzem custos e que dão margem para a implantação do que chamou “Saneamento 5.0”. Uma delas, por exemplo, é a adoção de reservatórios de água modulares. Algumas estações de tratamento de água, como ocorre em Toledo, no oeste do estado, têm o formato de contêineres pelo simples fato de ocupar um terço do espaço que seria destinado para uma estação convencional. A empresa também tem à disposição fontes alternativas de energia, como o biogás. 

Stabile foi enfático ao afirmar que a população tem de entender que melhorar a operação de uma empresa pública é tarefa que também pertence ao cidadão. Por isso, a participação de cada um é fundamental, afirmou, dando um exemplo de como é possível fazer com que as pessoas não desperdicem água. A companhia tem feito testes com um aplicativo que o morador fará a leitura do hidrômetro e enviará através do próprio app a medida. A Sanepar fará o cruzamento dos dados e, estando tudo correto, emitirá automaticamente a fatura, que será enviada para o aplicativo do cliente.  

O presidente da Sanepar afirmou que para os próximos cinco anos estão previstos investimentos de mais de R$ 7 bilhões. Ele também fez menção ao projeto de lei 3.261 que tramita no Congresso Nacional e que altera o marco regulatório do saneamento. As entidades que representam as companhias estaduais criticam alguns itens do PL por privilegiar as empresas privadas em detrimento das públicas. “O projeto de lei tem alguns pontos positivos, como a regulação do setor, e também tira as empresas da zona de conforto. Mas tem de tomar alguns cuidados para não desestruturar as empresas públicas”, alertou. “Quando o Salim falava de modo firme apoiando a privatização (veja aqui a palestra de Salim Mattar), ele tem razão em boa parte do que disse. Porém, a Sanepar é um exemplo de que o poder público pode ser, sim, eficiente. O investidor privado é sempre bem-vindo não apenas pelo fato de ter dinheiro, mas por causa de sua experiência. Isso é muito importante”, sublinhou. 

A Sanepar também foi premiada pelo ranking de AMANHÃ e PwC. A empresa é a líder setorial em serviços públicos e a oitava empresa entre as maiores do Paraná em Valor Ponderado de Grandeza, o VPG. O índice reflete, de forma equilibrada, o tamanho e o desempenho das empresas, a partir de uma ponderação que considera os três grandes números do balanço: patrimônio líquido (que tem peso de 50% no cálculo do VPG), receita líquida (40%) e lucro líquido ou prejuízo (10%).  A estatal também se destacou entre as empresas do Paraná com maior patrimônio líquido, calculado em R$ 5,7 bilhões, conquistando o quinto lugar, e a empresa com maior lucro líquido do Sul – ocupa o 10º lugar com R$ 892,4 milhões. 

O evento também contou com a participação de José Luiz Laydner, diretor de geração da Engie Energia (leia a reportagem aqui) e Erasmo Carlos Battistella, presidente da BSBIOS (leia a matéria aqui). 


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