US$ 1 bilhão em 1 minuto

Se mais gente fosse parecida comigo, o mundo estaria estagnado e talvez arruinado

Por Fernando Dourado Filho, de Évora (Portugal)

Convenção de vendas do site Alibaba

Da meia-noite do domingo, hora de Pequim, até 00:01:08 da segunda-feira, ou seja, em um minuto e oito segundos, o site chinês Alibaba vendeu a cifra astronômica de US$ 1 bilhão, ou seja, mais R$ 5 bilhões. A data marca a "festa dos solteiros", o evento comercial mais nobre do calendário chinês (levando em conta o alto poder aquisitivo do segmento), mais até do que o "Black Friday", a sexta-feira subsequente ao Dia de Ação de Graças, que também sinaliza pico de compras na China. 

Sensíveis às reverberações do consumo, tal marca ano passado só foi atingida em 85 segundos. Ou seja, em 2019 estamos 17 segundos em vantagem, o que pode dizer muito da eficiência do site, da navegabilidade, do poder de compra chinês e até de nada disso, só mesmo do recrudescimento da tradição. Sendo extremamente supersticiosos, os chineses atribuem grande valor numerológico ao 11/11, ou seja, ao 11 de Novembro. Ano passado as vendas foram a mais de US$ 30 bilhões em 24 horas.   

Como tudo o que acontece numa cultura de alto contexto, ou seja, que se comunica entre si e com o mundo por meio de símbolos, mais do que por longas frases, a imprensa chinesa faz questão de assinalar que a marca dos 100 bilhões de yuan, ou de US$ 15 bilhões, foi atingida em 1 hora, 3 minutos e 59 segundos, ou seja, 43 minutos mais cedo do que no ano anterior. É ou não impressionante? Os principais itens, como seria de esperar, são produtos eletrônicos, vestuário e de movelaria.

Nesse contexto, não tenho como esconder minha perplexidade. Como já disse aqui algumas vezes, se mais gente fosse parecida comigo, o mundo estaria estagnado e talvez arruinado. Certa feita na Ikea, de Funabashi, Japão, perguntei quantos itens eles tinham na loja. Passava dos 100 mil. Como tinha tempo, percorri as gôndolas. No final, só encontrei um artigo que me pareceu tentador, fosse no Japão ou no Brasil. O restante, para nada me serviria. Era um cirquinho desmontável para criança que levei para um sobrinho.  

Mas para o bem do bilionário Jackie Ma, da Alibaba, o mundo está de seu lado, não do meu. 


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