Ibovespa tem segunda maior alta do ano com medidas de Dilma

Gestores apostam que novas mudanças na economia serão anunciadas em breve

Por Infomoney

Ibovespa tem segunda maior alta do ano com medidas de Dilma

O Ibovespa fechou em sua segunda maior alta desde o início do ano nesta terça-feira (17) depois de disparar à tarde com indicações da presidente Dilma Rousseff (PT) e rumores em torno da reunião entre o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante (PT). Fonte procurada pelo Infomoney falou em reforma ministerial do governo Dilma, enquanto gestores apostam em medidas de combate à corrupção, mudanças na economia pela presidente e possíveis novos anúncios de medidas para o ajuste fiscal. O benchmark fechou em alta de 2,9%, a 50.285 pontos, a segunda maior alta do ano, perdendo apenas para a de 7 de janeiro, quando a Bolsa subiu 3%. Ao mesmo tempo, o dólar comercial, teve queda de 0,42%, a R$ 3,2310. O volume financeiro total negociado no pregão foi de R$ 7,1 bilhões.  Apesar da baixa, o câmbio continua depreciado, de modo que o Ibovespa na moeda norte-americana fica mais barato. Assim, o investidor estrangeiro, que tem uma participação de 52% no volume de negociação da Bovespa, passou a exercer pressão compradora.

O gestor da AZ Investimentos, Ricardo Zeno, avaliou que a presidente, em suas últimas declarações, se mostrou disposta a lutar contra a corrupção e a mudar a política econômica. "Essa disposição que ela sinalizou foi assimilada de forma positiva pelo mercado", relata. Já para o gestor da H.H. Picchioni, Paulo Henrique Amantea, todas essas indicações feitas por Dilma são positivas, mas já estavam no radar. Para ele, isso não explica a alta tão forte em tão pouco tempo. "Deve ter saído algum rumor de ajuste fiscal no Congresso", acredita. Fato mesmo é que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, está reunido com o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Ainda não se sabe a pauta do encontro, mas diante do cenário tenso na política, começam especulações sobre os ajustes e possíveis novos anúncios por parte do governo. Além disso, destaque também para a fala do ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, que disse não acreditar que as mudanças promovidas pelo governo após a reeleição da presidente Dilma Rousseff representam uma mudança no discurso em relação às promessas feitas durante a campanha eleitoral. Ele também afirmou que o foco do governo no ajuste fiscal foi ajustar impostos e tributos já existentes, e não criar nova carga tributária. "O que o governo fez foi a correção sobre impostos que já existem, não tem imposto novo", declarou. Uma notícia que mexe também com o mercado interno envolve a Fitch. A agência de risco divulgou que o anúncio sobre rating do Brasil deve vir nas próximas semanas. "O Brasil está sob pressão em termos globais, juntamente com a deterioração dos preços das commodities", descreveu Tony Stringer, diretor-gerente de soberanos da Fitch, em conferência em Hong Kong. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy irá se reunir com a Fitch nesta quarta-feira (18).  

Ações em destaque

Quem puxava a alta do índice eram as ações da Vale (VALE3, R$ 19,88, +5,2%; VALE5, R$ 17,19, +4,6%) e de siderúrgicas, que manticeram o movimento de terça, quando subiram graças aos estímulos na China. CSN (CSNA3, R$ 5,81, +3,9%), Gerdau (GGBR4, R$ 11,12, +4,3%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 11,93, +4,3%) e Usiminas (USIM5, R$ 5,10, +4,3%), se valorizaram. O analista da WinTrade, Bruno Gonçalves, relata que dados como a compra de aços planos pela Inda ficaram abaixo do valor projetado, porém, a desvalorização cambial tende a reduzir as importações e sustentar os preços. Além disso, especulação de novos estímulos na China colaboram para a alta.Também na ponta positiva, os papéis de exportadoras como Fibria (FIBR3, R$ 41,52, +3,1%) e Suzano (SUZB5, R$ 14,10, +1,9%) registravam alta beneficiadas pelo dólar. Com receita na moeda norte-americana e despesas em reais, essas empresas ganham mais dinheiro quando o câmbio está depreciado.  As ações da Petrobras (PETR3, R$ 8,71, +5,6%; PETR4, R$ 8,89, +5%) ganharam força, impulsionando o índice, deixando para trás a notícia de que a estatal deixará o Dow Jones Sustainability Index World (DJSI World), do qual fazia parte desde 2006. De acordo com o comunicado, a decisão foi baseada nas denúncias de corrupção investigadas no âmbito da Operação Lava Jato. O comitê informou que monitorará a evolução das investigações e o posicionamento da Petrobras ao longo deste ano, podendo reconsiderar a participação da companhia a partir de 2016. A fiscalização maior na Petrobras levou o preço dos CDS (Credit Default Swap) da empresa para níveis históricos de alta, segundo a análise da Fitch Solutions. Quanto maior o CDS (uma espécie de seguro contra calote da empresa) pago, maior o risco da companhia quebrar. O CDS da estatal avançou 24% na última semana. A liquidez do CDS também aumentou.

Cenário externo

As ações asiáticas subiram seguindo a direção de Wall Street, com especulações de que dados mais fracos da economia norte-americana façam com que o Federal Reserve demore mais antes de elevar os juros. A utilização da capacidade industrial ficou em 78,9%, ante 79,5% esperado, enquanto a produção manufatureira no Estado de Nova York ficou em 6,9 pontos ante 9 previstos. As ações chinesas fecharam em alta de 1,5%, ampliando ganhos por esperanças de que o governo afrouxe a política monetária para impulsionar a economia em desaceleração. O Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) deve iniciar sua reunião de dois dias sobre política monetária nesta terça-feira e muitos analistas esperam que o Fed descarte a palavra "paciente" de seu comunicado formal sobre o momento da primeira elevação da taxa de juro desde 2006. Economistas consultados pela Reuters estavam praticamente divididos entre a possibilidade de um aumento do juro ocorrer em junho ou mais tarde neste ano. No entanto, dados negativos sobre a produção industrial e moradias nos Estados Unidos na segunda-feira (16) ofereceram um motivo para que o Fed adote uma postura cautelosa sobre a política monetária. "Esperamos que o Fed descarte a palavra 'paciente' mas ao mesmo tempo diga que a política monetária dependerá de dados econômicos para manter sua mão livre para que possa elevar o juro quando quiser, seja em junho ou setembro", disse o chefe de estratégia de macroeconomia do HSBC Securities em Tóquio, Shuji Shirota.

Com Reuters



leia também

comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: