Uso racional de antibióticos gera economia para o Hospital Universitário Cajuru

Centro de saúde paranaense reduziu em 60% o valor gasto com medicamento e o tempo de internação

Por Karine Menoncin

karine.menoncin@amanha.com.br

Uso racional de antibióticos gera economia para o Hospital Universitário Cajuru

Já não é novidade que o uso indevido de antibióticos ajuda na criação de bactérias imunes a eles. A resistência bacteriana é tão preocupante que já se tornou a causa de 700 mil mortes por ano. Um estudo do Reino Unido, elaborado pela The Review on Antimicrobial Resistance, indica que, em 2050, esse número pode chegar a 10 milhões de pessoas. Os números são superiores até mesmo em relação à incidência de doenças como o câncer (8,2 milhões). Os casos de bactérias resistentes ocorrem, principalmente, pelo uso indevido e excessivo de antibióticos humanos e animais. Assim, intervenções destinadas a otimizar o uso de antibióticos, são uma das ações-chave do Plano de Ação Global da Organização Mundial da Saúde (OMS) para conter resistência a antibiótico.

De olho nisso, uma equipe médica do Hospital Universitário Cajuru, de Curitiba (PR), pesquisou o assunto e elaborou um programa para a prescrição racional de antibióticos com objetivo de tornar a gestão cada vez mais sustentável e diminuir a incidência de bactérias resistentes. Dos R$ 100 mil que eram gastos mensalmente com antibióticos no hospital, a conta baixou para R$ 40 mil só com o trabalho da prescrição racional de antibióticos. Isso representa um corte do total de despesas com materiais e medicamentos de cerca de 7%. 

A economia é graças a um aplicativo e a um site criados pela equipe do hospital para possibilitar a prescrição racional de antibióticos. “Os programas podem trazer redução de custos, mas devem ser feitos de forma a oferecer o tratamento mais eficaz para o paciente. Para isso, não basta apenas reduzir a quantidade de medicamento, mas encontrar o equilíbrio entre a potência dos antibióticos e seus efeitos potencialmente perigosos”, explica Juliano Gasparetto, diretor do Hospital Universitário Cajuru e professor da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). A primeira fase do estudo teve início em 2016 e resultou em uma economia de US$ 300 mil em um período de 12 meses. Na segunda fase, com duração de 18 meses, o projeto gerou uma redução de aproximadamente US$ 500 mil. 

Além dos benefícios econômicos, a equipe notou uma mudança no perfil das bactérias, que passaram a ser eliminadas com antibióticos menos potentes e de menor espectro. Outro ponto importante foi a diminuição do tempo de internação. “Uma das coisas que causaram mais impacto foi a redução da média de permanência dos pacientes no hospital, que antes era de aproximadamente 5 dias e passou para 3,9 dias, uma média extremamente baixa para um hospital 100% SUS”, avalia Gasparetto. Mensalmente, o hospital realiza 1,4 mil internações, cerca de 5 mil atendimentos no pronto socorro e 7,5 mil atendimentos ambulatoriais.



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