Austin Rating rebaixa nota de crédito do Brasil para BB+

O fato está fundamentado na piora dos resultados das contas públicas

Da Redação

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Austin Rating rebaixa nota de crédito do Brasil para BB+

Em relatório assinado pelo seu economista-chefe, Alex Agostini (foto), a a agência brasileira Austin comunicou nesta quinta-feira (23) que rebaixou a nota de crédito de longo prazo do país. O rating do Brasil, em escala global, caiu de BBB- (“triplo B menos”) para BB+ (“duplo B mais”) em moeda estrangeira. A perspectiva é estável segundo a Austin – ou seja, a agência não está sinalizando melhora nem piora no cenário visível de revisão da nota de crédito. Em moeda local, o rating nacional também foi rebaixado de BBB (“triplo B”) para BBB- (“triplo B menos”), com perspectiva estável. De acordo com o comunicado, o rebaixamento está fundamentado na acentuada e contínua piora dos resultados das contas públicas, com destaque para o baixo nível de superávit primário, com ênfase ainda para a redução da meta de superávit primário para este ano de 1,1% para 0,15% e de aumento da projeção da dívida bruta em relação ao PIB para 64,7%. De acordo com a agência de classificação de risco, esses são fatores que demonstram fragilidade na gestão das contas públicas do país e preserva aos investidores a continuidade da incerteza do retorno de seus negócios.

“Também contribuiu para o rebaixamento o enfraquecimento das contas externas com forte queda do saldo comercial e forte elevação do déficit em transações correntes, na persistência das condições monetárias desfavoráveis com a inflação corrente em alta (com quebra de sazonalidade) e inflação prospectiva rigidamente elevadas e muito acima do limite superior determinado no sistema de metas para inflação, que é de 6,5%”, relata o documento. “Há ainda as perspectivas de desempenho econômico com forte deterioração do mercado de trabalho (crescente cortes de postos de trabalho e queda da renda), recorrentes projeções de retração do PIB em 2015 e desempenho quase nulo (0%) para 2016, que segundo estimativas apuradas junto ao Focus a taxa média de crescimento do PIB para o período 2015-2019 é de apenas 0,97%, portanto, muito inferior ao PIB potencial estimado em 3,5%”, complementa o relatório.

Para o Comitê de Risco da agência, a recente elevação na taxa de juros básica da economia (Selic), apesar de estar em linha com a necessidade de corrigir os níveis de preço no médio prazo para os níveis aceitos pelos parâmetros do sistema de metas para inflação, contribui negativamente para o processo de recuperação dos fatores de produção no mesmo horizonte de tempo. “Também se revela preocupante o custo adicional da elevação da taxa básica sobre a Dívida Líquida do Setor Público, em particular a parcela indexada à taxa Selic, e o esforço adicional que o Tesouro terá que fazer para amenizar tal impacto negativo na estrutura a termo das taxas de juros”, alerta o documento da Austin, que tem como analistas responsáveis Alex Agostini e também Wellington Ramos.

Com relação às contas externas, os analistas destacam que “os elevados e crescentes déficits em transações correntes, fatores que têm origem tanto no enfraquecimento do comércio exterior brasileiro tanto pela saída de capitais financeiros, com reflexos negativos sobre os investimentos estrangeiros diretos, como na corrente de comércio de bens e serviços. A condição prospectiva para as contas externas brasileiras tem demonstrado relativa preocupação em dois pontos: i) enfraquecimento do saldo da balança comercial, derivado da concentração da pauta de exportação em produtos básicos (commodities), que estão com preços em queda e sem perspectiva de reversão; ii) alterações no fluxo de divisas estrangeiras para o mercado de capitais brasileiro devido as mudanças em curso da política monetária nas economias centrais, com destaque para Estados Unidos e Europa”.

No entanto, a Austin considera como fatores positivos o processo de concessões de serviços públicos, em particular aqueles relacionados à infraestrutura logística. Para os analistas, a ação do governo reflete no potencial ganho de competitividade dos setores industrial e exportador, fator que será acompanhado e avaliado seus desdobramentos e contribuições diretas sobre a dinâmica macroeconômica do PIB, bem como desonera o setor público de despesas na prestação desses serviços.


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