Hora de fechar a carteira

Pesquisa da Acrefi e TNS revela que consumidores do Sul estão menos propensos a gastar este ano

Por Laura D’Angelo

laura.cauduro@amanha.com.br

Hora de fechar a carteira

As constantes altas da inflação e as maiores taxas de juros para o crédito já estão tirando a disposição para novas compras e investimentos dos consumidores da região Sul. A pesquisa da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) e TNS Brasil revelou que 88% dos 148 consumidores entrevistados nos três estados não pretendem, nos próximos meses, tomar crédito. A maioria também acha que sua capacidade de investir em compras de carro ou casa (51%) assim como para compras para casa (49%) irá piorar.

O comportamento é influenciado pela situação econômica nacional. Para 91%, a inflação tem impactado o seu padrão de consumo. As perspectivas gerais para o país também não são positivas. Para 66% dos entrevistados, o crescimento da economia em 2015 vai ser menor do que ano passado e 77% acreditam que o consumo das famílias vai diminuir. Outros 82% esperam taxas de juros ainda mais altas este ano.

Como consequência, gaúchos, paranaenses e catarinenses não têm expectativa de melhora dos seus padrões de vida nem de suas condições financeiras. A economia nos gastos, no entanto, deve garantir, ao menos, uma estabilidade. A maioria (46%) prevê que tanto o padrão de vida como as condições financeiras permaneçam os mesmos.

O desânimo dos sulistas está na mesma sintonia dos demais brasileiros. Segundo o levantamento da Acrefi e TNS, que ouviu mais de 1 mil pessoas de todas as regiões do país na primeira quinzena de julho deste ano, 84% dos consumidores brasileiros planejam economizar mais neste ano e 65% se dizem preocupados em relação ao futuro. Para a grande maioria deles, o desemprego vai aumentar no Brasil (86%). Os consumidores brasileiros também se mostram menos propensos a fazer um financiamento em 2015 do que na pesquisa anterior, realizada em abril: o percentual de pessoas passou de 77% para 86%. E o grande vilão desta falta de disposição em consumir é a inflação. Ela impacta o padrão de consumo de 92% dos entrevistados, alterando os  gastos, principalmente, com lazer (83%), vestuário (77%) e alimentação (76%).


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