Novo presidente da Fiep diz que não vai favorecer setores

As ideias de Carlos Walter Martins Pedro, que venceu uma eleição disputadíssima e sucederá Edson Campagnolo

Por Marcos Graciani

graciani@amanha.com.br

Carlos Walter Martins Pedro, que comandará a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) a partir de 1º de outubro, já tem um mantra para o mandato de quatro anos. “Agregação de valor” é a palavra de ordem do maringaense e fundador da ZM Bombas. Direto, Martins Pedro quer fortalecer a indústria paranaense pela via do fomento a negócios no Brasil e no exterior. Ele também promete defender a indústria como um todo, “sem escolher privilegiados” e, embora tenha disputado a eleição pela chapa da situação, anunciou que não dará continuidade ao processo de interiorização da Fiep, iniciativa protagonizada pelo antecessor, Edson Campagnolo. Pleito foi vencido por 49 a 47 votos.

O novo presidente defende que a proposta é fazer uma gestão para todos os setores, para melhorar o ambiente de negócios para toda a indústria. "Não vou privilegiar o interior em detrimento da Capital e Grande Curitiba. Todas as regiões do Estado serão atendidas da mesma forma, bem como todos os setores industriais", conclui. 

O próximo ocupante da presidência também mostrou preocupação com o possível corte de verbas do Sistema S. “Não podemos perder uma entidade como o Senai, que foi fundado depois da Segunda Guerra Mundial. Não podemos correr o risco de ter uma retração nas verbas e perder esse patrimônio que tanto ajudou na evolução da indústria”, conclamou. Acompanhe, a seguir, a íntegra da entrevista concedida ao Portal AMANHÃ. 


Quais serão as principais bandeiras de sua gestão?

A Fiep é a federação dos sindicatos das indústrias do Paraná, são representantes fortes e diversificados. Nosso foco de atuação será na defesa dos interesses da indústria, principalmente defendendo a normatização de regras pelo governo e a busca por melhor infraestrutura. Outro viés será fomentar negócios entre empresas dentro e fora do país valorizando os produtos produzidos no Paraná. 


A propósito de infraestrutura, quais os gargalos que mais o preocupam?

É muito grave o alto custo alocado no preço de produtos que nos trazem desvantagem competitiva. São custos não somente de carga tributária, mas sobre mão de obra, a excessiva normatização que temos, além de custos indiretos como ter de manter uma equipe para enviar dados para a Receita Federal. Por essa razão, nos ajuda o processo de desburocratização pelo qual o país está passando. Também temos de melhorar bastante as condições da infraestrutura de transporte,  como a dos portos, por exemplo. É necessário, enfim, baixar esses custos para termos competitividade.


Na gestão passada houve uma grande interiorização da Fiep. O senhor pretende dar continuidade ao projeto?

Não, não pretendo. A Fiep representa toda indústria do estado. Naturalmente que a Grande Curitiba tem maior potencial industrial, mas temos indústrias expressivas em todo o estado. Tive a satisfação de ter percorrido todo o Paraná e ver o potencial e a qualidade do que se produz no interior. Porém, como federação é preciso representar todos sem privilégio deste ou daquele setor.  


Como o senhor pretende trabalhar pela competitividade da indústria paranaense em seu mandato?

Em duas situações: melhorar a composição do dito Custo Brasil por meio da redução de normas regulamentadoras e, de outro lado, defender a melhoria da infraestrutura. Ambos compõem custos ao produto final e é preciso diminui-los. 


Alguns economistas veem um processo de desindustrialização no Brasil. Este quadro se verifica no Paraná ou não?

Infelizmente, eles têm razão. Estamos saindo de uma crise muito grande. Em 37 anos como industrial, nunca vi uma crise tão perniciosa e com tamanha dificuldade.  Com isso, vemos crescer a concorrência com produtos importados e, automaticamente, há perda de industrialização.  


Na sua visão, quais setores da indústria merecem cuidados para readquirir o dinamismo de outros tempos?

No passado, o PIB industrial era muito mais expressivo do que é atualmente. Há, ainda, muita proteção ou mesmo oferta de subsídios. Por essa razão, é preciso equalizar tudo isso com justiça para que possamos competir no exterior. Há um bom cenário no Brasil, pois os juros estão mais equânimes, há um processo de desburocratização em curso, enfim, a volta de alguns princípios que farão com que a competitividade volte a crescer mais ativamente.  


Recentemente, o Senai divulgou uma pesquisa dando conta da necessidade da formação de 10 milhões de brasileiros para conseguirem operar novas tecnologias. Como o senhor pretende cuidar desse tema no âmbito da Fiep?

O Sistema Fiep, juntamente com o Senai, Sesi e IEL, tem papel importante nessa área. Fizemos um dos maiores investimentos por meio do Senai na busca de tecnologia, inovação e pesquisa pura. Temos capacidade para atender essa formação, ainda que tenhamos de avançar – e muito – na chamada Indústria 4.0.  


O corte de verbas que atinge as organizações sindicais e o Sistema S afetará programas da Fiep? Qual é o plano para recompor as receitas? 

Essas entidades existem para a indústria e pela indústria e agregam valor para a própria indústria. O Sesi auxilia no campo tecnológico, enquanto o Sesi atua no campo da saúde e da segurança . Não podemos perder uma entidade como o Senai que foi fundado depois da Segunda Guerra Mundial. Não podemos correr o risco de ter uma retração nas verbas e perder esse patrimônio que tanto ajudou na evolução da indústria. 


Como pretende atuar com a bancada do Paraná em Brasília? Quais demandas terão prioridade em seu mandato?

Uma ação conjunta entre o governo federal e estadual é vital para fazer a gestão da indústria. Somos parceiros do governo. Queremos fazer com eles ações constantes de integração colocando em foco as nossas necessidades. Buscaremos nossos interesses, mas sempre agindo com isonomia e legitimidade para podermos cobrar o que for preciso. 


O Paraná se destaca pela presença de um cooperativismo vigoroso, e sabemos que as cooperativas vêm tentando industrializar a produção dos associados. Como o senhor avalia os resultados deste esforço do agronegócio de articular produção rural e indústria para agregar valor aos produtos?

Sem dúvida. Isso é vital e é um privilégio. Nosso cooperativismo é expressivo, forte e tradicional e já tem trabalhado muito com a indústria como um todo para agregar valor. Acho, no entanto, que poderíamos agregar ainda mais valor antes da exportação por meio de uma composição de custos que nos dê mais competitividade. E podemos fazer isso junto ao governo e aos associados como um todo. 



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