Dar à luz a um filho e a uma carreira ainda mais promissora

A maternidade segue sendo um peso na carreira das mulheres, mas não deveria ser

Por Bernt Entschev

A maternidade segue sendo um peso na carreira das mulheres, mas não deveria ser

Dia desses fui surpreendido por uma notícia de que uma startup de São Paulo havia contratado uma profissional que estava entrando em seu nono mês de gestação. Ao mesmo tempo, parei e pensei: por que notícias desta natureza ainda me surpreendem, após anos convivendo no mundo da gestão de pessoas?

Infelizmente, tanto eu quanto você, leitor, sabemos que as empresas ainda tratam a gravidez como algo que vai “atrapalhar” a rotina diária da corporação. Isso já mudou muito em respeito às leis e pelo mundo em que vivemos. Mas não é algo assimilado ainda por todos os gestores. Essa é uma barreira que todos nós devemos ajudar a derrubar, independentemente do papel que desempenhemos no mercado de trabalho. 

A notícia da startup me chamou a atenção porque a direção da empresa aplicou o que venho defendendo há muitos anos: gravidez não é, de forma alguma, uma doença. Pelo contrário, é vida nova em todos os sentidos! No lado profissional, com certeza o grupo empresarial que oportunizar esta realização à mulher que deseja ter seus bebês contará, no futuro, com uma pessoa muito mais madura, focada, aberta às novas experiências, ainda mais ágil na realização de suas atividades e mais eficaz nas decisões que precisa tomar. 

Quer correlação melhor com o dia a dia de nosso trabalho? Esse perfil se molda ao natural, a maternidade transforma a mulher, pois ela tem nos braços um ser que depende dela para tudo. Sabendo ou não, ela terá de aprender a lidar com inúmeras situações que o recém-nascido exige e isso vai oferecer uma experiência que somente ela poderá ter com a sua vivência como mãe. Certamente essa vivência será interiorizada e transmitida para outras áreas da vida – entre elas a profissional. 

Deixo meu recado aos empresários e profissionais da área de recursos humanos: vejam na gravidez de suas colaboradoras algo que vai transformar aquela profissional em alguém ainda mais comprometida e ainda mais produtiva para sua companhia. Foi o que fez a startup paulistana. Seu diretor, ao justificar a contratação, na ocasião declarou: “Desejo o talento desta profissional, independentemente de suas decisões pessoais e planejamento familiar”. Essa sensibilidade no mercado de trabalho conta inúmeros pontos para empresas que querem se diferenciar em um mundo cada vez mais competitivo. 

Para você, leitora, que deseja ser mãe, minha sugestão é: não deixe de buscar o seu sonho. Se você se sente preparada e o casal está totalmente de acordo com a vinda de um novo ser humano, pode ter a certeza de que você será uma profissional ainda melhor. Convivi com centenas de mulheres que viveram essa mesma experiência e posso afirmar que elas se apresentaram de modo muitíssimo diferente e particular após esse momento marcante de suas vidas. Afinal, conceber também faz parte de uma feliz e promissora carreira.  


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