Petrobras puxa Bolsa e leva dólar a R$ 3,16

Índice fechou praticamente estável após série de notícias envolvendo a estatal

Por Infomoney

Petrobras puxa Bolsa e leva dólar a R$ 3,16

A Bolsa caminhava para mais um dia de alta, chegando a subir quase 1,5% durante a manhã, enquanto o dólar recuava mais de 1%. Porém, durante a tarde, ambos mercados inverteram de sentido por conta de um mesmo fator: a Petrobras. A notícia de que ministro da Fazenda, Joaquim Levy, suspendeu a operação que daria R$ 9 bilhões à Petrobras, segundo a Bloomberg, acabou mudando completamente o humor dos investidores. As ações da Petrobras, que operaram durante toda a manhã no positivo, passaram a cair forte e fecharam com queda de mais de 3%. Enquanto isso, o Ibovespa encerrou a sessão desta quinta-feira (12) praticamente estável, com leve recuo de 0,05%, aos 48.880 pontos. O giro financeiro na Bovespa foi de R$ 6,6 bilhões. Já o dólar, que chegou a cair mais de 1%, fechou com ganhos de 1,08%, a R$ 3,1590 na compra e R$ 3,1615 na venda.

Segundo fontes disseram à Bloomberg, Levy não quer usar o Tesouro para socorrer estatais diante do rebaixamento da nota brasileira. Em consequência, mais um corte na nota da Petrobras seria inevitável. "Isso é um baita sinal de que a perda do grau de investimento da Petrobras é iminente", disseram fontes de mercado ao InfoMoney, citando ainda o rebaixamento de ratings pela Fitch nesta quinta de empresas expostas à Petrobras. A revisão veio devido a agência enxergar risco de que a companhia não honre seus contratos. A Fitch anunciou os cortou dos ratings da Shahin e da Queiroz Galvão Óleo e Gás.

No radar do mercado ainda, a diretora da Standard & Poors (S&P) para a América Latina, Regina Nunes, afirmou a agência de classificação de risco atualmente está preocupada com a Petrobras e as consequências da Operação Lava Jato. Em sua visão, a área de petróleo e gás hoje é a de maior risco para o país. Regina ponderou, no entanto, que também no setor de energético a S&P não contempla racionamento de energia. Para ela, não importa tanto se a equipe econômica conseguirá entregar a meta de superávit primário na proporção de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB), ou mesmo 1% ou 0,8%. O que interessa mesmo para a agência é que o Brasil tenha uma melhora do perfil da dívida. "Entregar a meta nominal de superávit primário não importa tanto. É preciso que haja sinalização de que o país terá condições de pagar ou reduzir sua dívida lá na frente", alertou Regina, acrescentando que a agência seguirá monitorando a dinâmica da dívida brasileira.

No Ibovespa, a queda da Petrobras foi suficiente para levar o índice ao nível de fechamento, enquanto no mercado cambial, o que acabou pesando foi a sensação de que os efeitos da Operação Lava Jato e dos problemas na estatal acabem afetando outros setores da economia, azedando novamente o humor do mercado sobre o futuro e a efetividade dos ajustes fiscais que o governo está tentando implantar.

 Ata do Copom, Dilma e Congresso

A equipe de analistas da Guide Investimentos afirmou em relatório que a ata do Copom mostrou que o BC já vê a inflação longe de entrar em declínio em 2015. O texto da autoridade monetária repetiu que os avanços alcançados no combate à inflação ainda não se mostram suficientes (leia mais detalhes aqui). "Em suma, reduzir o ritmo de ajuste nos juros é cada vez menos provável, e o BC deve seguir elevando a Selic em 0,50 ponto percentual", avalia a corretora.

No caso do reajuste da tabela do Imposto de Renda, na quarta o Congresso Nacional aprovou a correção de 6,5%, firmada em acordo do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, com o presidente do Senado, Renan Calheiros. Com isso, as tensões entre o governo e o Legislativo se arrefeceram e reduziram o risco político que vinha afetando negativamente o desempenho da Bolsa brasileira. Na semana passada, a devolução da MP 669, que trata das desonerações da folha de pagamento, à presidente Dilma Rousseff (PT) por Renan trouxe preocupações acerca do quanto o Congresso deixaria de espaço para que Levy implemente as medidas de ajuste fiscal que pretendem trazer um superávit fiscal de 1,2% do PIB para as contas públicas este ano. Em destaque, está ainda a fala de Dilma durante a inauguração dos terminais privados no porto do Rio de Janeiro. Ela admitiu que o governo esgotou todos os recursos possíveis para combater a crise iniciada em 2008 e que se estendeu pelo ano seguinte, segundo informações do jornal O Estado de São Paulo.

Destaques de ações

As ações da Marcopolo (POMO4) dispararam nesta quinta com investidores na expectativa de abertura de audiência pública para a regulamentação do modelo de autorização das linhas interestaduais de transporte rodoviário. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou hoje minuta da resolução que regulamentará o modelo de autorização das linhas interestaduais e internacionais de transporte rodoviário, que vinha sendo aguardada pelo mercado por conta de seu impacto em empresas como a fabricante de carrocerias de ônibus Marcopolo. Entre as empresas que divulgaram balanços entre a noite de quarta (11) e a manhã desta quinta (12),  a CSN (CSNA3) informou que lucrou R$ 66,9 milhões no quarto trimestre, invertendo prejuízo de R$ 250,3 milhões registrado no mesmo período do ano anterior, principalmente devido ao maior lucro bruto e melhor resultado financeiro. As ações da companhia subiram mais de 7%. Segundo a XP Investimentos, o resultado surpreendeu positivamente, apontando que apesar do cenário macroeconômico desafiador, principalmente no mercado doméstico, a alta do dólar frente ao real deve influenciar positivamente a empresa. Além do balanço, a siderúrgica anunciou também o pagamento de dividendos aos seus acionistas no montante de R$ 275 milhões, correspondentes a R$ 0,20263 por ação.



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