No Rio Grande do Sul, dinheiro está dando em árvore: a nogueira

Noz pode ter rentabilidade até 30 vezes maior que a soja

Por Marcos Graciani

graciani@amanha.com.br

Noz pode ter rentabilidade até 30 vezes maior que a soja

No Sul do Brasil, cinco sócios vislumbraram na nogueira uma forma de manter uma cultura perene, ou seja, sem necessidade de replantio e, ainda, com lucratividade nas alturas. Os produtores convencionais de soja ou milho, por exemplo, nem sempre conseguem manter uma média de rentabilidade num período de 10 anos devido aos fatores climáticos ou mercadológicos. Não foi por acaso que a noz pecã atraiu a atenção dos médicos Eduardo Schuch, Osmar Tesch, Paulo Valentim e Roger Martins de Souza, além do jornalista Eládio Dios. O grupo, depois de aprofundadas pesquisas, concebeu a Paralelo 30. Instalada em Cachoeira do Sul (RS), a companhia mantém seu pomar de nogueiras em cerca de 200 hectares, que foram plantados de forma escalonada entre 2009 e 2017. A parte mais consolidada da plantação é de 80 hectares onde há árvores de 9 a 10 anos (a produção comercial só é possível a partir do sétimo ano). 

O restante do pomar deve entrar em produção a partir do próximo ano, e até 2024, a expectativa é que todos os 200 hectares estejam atingindo um volume de aproximadamente 600 toneladas de nozes por ano. De acordo com o engenheiro agrícola e administrador da Paralelo 30, Jorge Porto, a rentabilidade das culturas tradicionais como a pecuária, por exemplo, onde 250 a 300 quilos de boi por hectare equivale R$ 1,3 mil a R$ 1,5 mil por hectare, gera um lucro líquido entre R$ 600 a R$ 700 por hectare. A soja apresenta margem um pouco maior: R$ 1 mil por hectare ao ano, na média, devido ao custo de produção. Já o lucro obtido com a noz pecã alcança  inacreditáveis R$ 30 mil por hectare. 

Não é sem motivo que a Paralelo 30 planeja alargar seus horizontes. Além da produção do fruto, a companhia tem investido fortemente na comercialização de mudas de nogueiras e consultoria para a implantação de pomares em todo o território nacional e também na América Latina. A empresa tem ainda um viveiro com capacidade produtiva de 60 mil mudas enxertadas por ano. Outro projeto da empresa é debutar no mercado de beneficiamento da pecã abrangendo toda cadeia da fruta a partir de 2022.


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