Multa bilionária da Petrobras coloca dividendos em risco

Estatal não deve pagar os acionistas

Por Infomoney

Multa bilionária da Petrobras coloca dividendos em risco

Após derrota em processo administrativo sobre incidência de IOF em transações no exterior, a Petrobras (foto) informou na quinta-feira (16) que pagou R$ 1,6 bilhão à Receita Federal. Embora o valor corresponda a apenas 2,3% do Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) esperado para a estatal neste ano, a notícia pode ser a ponta do iceberg, afirma o Morgan Stanley, em relatório desta sexta-feira (17). O documento cita riscos ao lucro da companhia, dividendos e alavancagem se mais fatos como esse aparecerem durante 2015.

Segundo os analistas Bruno Montanari e Madalena Carmona e Costa, apesar do baixo valor referente à geração de caixa esperada para a estatal e seu valor de mercado (de somente 1%), a multa corresponde a 12% do LPA (Lucro por Ação) esperado para a empresa neste ano e apenas 1,7% da contingência fiscal não provisionada. De acordo com cálculos do banco, a Petrobras tem R$ 96 bilhões em contingências fiscais que não estão provisionadas em seu balanço financeiro. Do total, o segundo maior grupo dos potenciais passivos (R$ 7,2 bilhões) vem de juros de IOF referentes a operações realizadas entre a companhia e suas subsidiárias no exterior entre 2007 e 2010.

“Embora não acreditemos que as decisões negativas atinjam 100% das contingências, cremos que os riscos devem ser monitorados”, afirmam Montanari e Madalena. Segundo eles, se 20% das contingências forem provisionadas, a Petrobras poderá atingir o "break even" fiscal neste ano e, novamente, não pagar os dividendos mínimos para os acionistas preferenciais. Além disso, apontam, as métricas de alavancagem da companhia poderão sofrer com mais deterioração.

Para o banco, a estatal deverá continuar a gerar fluxo de caixa negativo até 2018. Além do mais, o fluxo de caixa beneficiará os detentores de bonds inicialmente, em detrimento dos investidores em ações. O banco mantém recomendação underweight [exposição abaixo da média] para a Petrobras.



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