Investe SC, uma agência público-privada

Projeto garante que as novas empresas corrijam gargalos

Por Carlos Henrique Ramos Fonseca*

Investe SC, uma agência público-privada

Santa Catarina é um estado marcado por uma estrutura produtiva diversificada e dispersa regionalmente, permitindo um desempenho dinâmico mesmo em tempos de crise. Embora territorialmente compreenda apenas 1% da área brasileira, no comparativo estadual possui o sexto maior PIB do país, e a segunda maior participação da indústria na produção de riquezas. Essa configuração, que reflete a complexidade da cadeia produtiva catarinense, foi historicamente restringida por elos estruturais faltantes, que limitaram a ampliação da competitividade e da produtividade industrial. Com vistas a promover um novo engajamento produtivo, a Investe SC foi criada em 2014, assumindo um formato de agência público-privada de atração de investimentos.

A Investe nasce, portanto, da conjunção de duas instituições que, embora por vias distintas, perseguiam objetivos semelhantes para o avanço da estrutura produtiva de Santa Catarina. De um lado estava a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), uma organização madura e reconhecida por ser uma das principais forças na defesa do setor industrial catarinense. De outro, o governo de Santa Catarina, mais especificamente a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDS), que tinha o propósito de potencializar a inovação no estado e preencher os elos faltantes da cadeia de produção, no qual a atração de empresas de classe mundial assumia papel de destaque. Ao buscar alternativas que não se apoiassem na criação de uma empresa pública que cumprisse esse papel, o formato escolhido veio através de um convênio entre o governo do Estado e a Federação das Indústrias que, reunindo propósitos convergentes, contaria com recursos das duas instituições. 

Tendo como foco a atração de investimentos, sobretudo de base tecnológica, o projeto por detrás da Investe SC garante que as empresas a serem estabelecidas não sejam competitivas com os segmentos já presentes no mercado catarinense, ao mesmo tempo em que atuem na correção dos gargalos anteriormente identificados, articulando de forma integral a cadeia produtiva. A partir dessas inversões, também é possível promover uma internalização da produção de parte das demandas do setor industrial, substituindo a dependência de importações de maior intensidade tecnológica por geração interna de produtos, empregos e renda, potencializando as regiões mais defasadas do estado. Além do envolvimento financeiro, a Fiesc entrou com a expertise sobre a matriz econômica catarinense, disponibilizando sua rede de parceiros e a estrutura física em todas as regiões do estado. Conjuntamente, as responsabilidades da Investe perpassam a organização do fluxo de informações entre secretarias e a Federação para a atração de investimentos, atuando também nos setores em que são observadas as maiores necessidades de elos faltantes. Na época da criação do convênio, entretanto, não era esperado que o país entrasse em sua maior crise econômica, seguida das instabilidades no campo político. Essa forte mudança na conjuntura, que se revelou extremamente desafiadora para todos os setores da atividade produtiva, lançou-se como mais um óbice a ser enfrentado pela Investe. E enfrentamos! Prova disso é que, mesmo neste cenário recessivo, a nossa parceria proporcionou a movimentação de R$ 2,1 bilhões em Santa Catarina, e a geração de 4.147 novos empregos.

Estes resultados se somam à pungente recuperação econômica que temos observado em solo catarinense, com trajetória de crescimento percebida nos principais indicadores conjunturais, que mostram não somente os maiores níveis de atividade, mas indicam expectativas otimistas para o próximo ano. No momento, a Investe possui 140 projetos potenciais, dos quais 136 são de atração e quatro de internacionalização, distribuídos com maior destaque nos setores automotivo, energia, saúde, economia do mar e TIC. As possibilidades de investimento abarcam R$ 6,5 bilhões que, efetivadas, representarão a criação de quase 5 mil novos postos de trabalho.

Para 2018, além da validação dos projetos em aberto, a Investe renova sua posição estratégica para a dinamização das cadeias produtivas em setores mais deficitários. Para isso, necessita dar maior visibilidade ao estado, de modo que os fluxos de investimento, especialmente de empresas de base tecnológica, migrem dos eixos econômicos tradicionais para este estado que, apesar de territorialmente pequeno, possui grandes oportunidades e potencialidades.

*Diretor superintendente do Sebrae-SC


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