A TNT acerta o rumo

Depois de anos de prejuízo, transportadora volta a lucrar e planeja crescimento com base no sul

Por Laura D'Angelo

laura.cauduro@amanha.com.br

A TNT acerta o rumo

A nuvem negra parece ter definitivamente passado. Desde que adquiriu duas empresas de logística entre os anos de 2007 e 2009, a TNT amargava prejuízos consecutivos nos seus balanços anuais no Brasil. Mas, em 2014, pela primeira vez em sete anos, a multinacional holandesa registrou lucro no mercado brasileiro. Sem revelar os números totais, a unidade brasileira somou, até o terceiro trimestre do ano passado, cerca de R$ 850 milhões de receita e lucro operacional de R$ 10 milhões. Com a estabilidade reconquistada, a TNT Mercúrio (marca que a empresa adotou no Brasil) não quer deixar o caminhão andar de ré novamente. Para este ano, mantém os investimentos no país e, mesmo com a economia local estagnada, projeta um crescimento de um dígito no faturamento, cobrindo a inflação.

O sul se mostra parte essencial para que a estratégia de crescimento se concretize. A TNT Mercúrio possui duas unidades regionais, uma que atende o Rio Grande do Sul e outra direcionada a Santa Catarina e ao Paraná. Ambas tem previsões de crescimento de receita de 10% e 16%, respectivamente. “A malha que temos no sul é ímpar se comparado ao mercado brasileiro, este é o nosso grande diferencial”, diz Cristiano Koga (foto), diretor corporativo. A empresa atende a 73% dos municípios da região, que, por sua vez, responde com 26% do faturamento. O passado explica essa forte presença no sul: em 2007, a TNT incorporou as operações da gaúcha Expresso Mercúrio, referência nacional no segmento de logística. Da empresa, herdou, além do sobrenome na razão social, uma estrutura consolidada nos três estados da região.

Mas os frutos da aquisição da operação da Mercúrio só foram colhidos recentemente. Com a compra também da paulista Expresso Araçatuba, em 2009, a TNT, até então com atuação tímida no mercado brasileiro, saltou para liderança no transporte de carga fracionada no país. O preço da conquista foi alto. A integração dos sistemas comprometeu a qualidade do atendimento e da produtividade da nova TNT, que chegou a ser colocada à venda pela matriz em 2013. “Perdemos contas grandes no Rio Grande do Sul por conta dos atrasos que começamos a ter depois da fusão”, relembra Airton Levi, gerente regional do Estado. Com a casa arrumada, a unidade brasileira chegou a representar 10% do crescimento da multinacional em 2013, reconquistando a confiança da direção global e, principalmente, a credibilidade do mercado. A transportadora trabalha agora na recuperação de contratos importantes.

Uma das estratégias adotadas para recolocar a empresa no caminho do crescimento foi investir na tecnologia e na infraestrutura das redes de transferência para focar em segmentos que demandassem uma logística de maior valor agregado, como é o caso da indústria farmacêutica, automotiva e de eletrônicos. Inclusive, Koga salienta que o segmento farmacêutico tem se mostrado bastante promissor, tendo crescido dois dígitos na participação das regionais do sul e composto, juntamente, com o calçadista, têxtil, metalúrgico e automotivo, a cartela de clientes principais da TNT Mercúrio na região.

Koga admite que o baixo ritmo do consumo brasileiro é sentido pela TNT Mercúrio, mas que a empresa não abre mão dos investimentos e metas que propôs para este ano. Nas regionais do sul, a empresa quer aumentar o volume de entregas – que hoje chega a ser de 22 milhões de unidades por ano – através da conquista de novos clientes e de novos negócios com os parceiros atuais. Em janeiro, a TNT Mercúrio anunciou o investimento de R$ 39 milhões para a renovação da frota, que exige menos manutenção e reduz gastos com combustível. Dos 351 novos veículos, 27 foram destinados a rodar pelas estradas do sul. “A TNT vem numa retomada muito forte de crescimento e de conquista de mercado. A economia brasileira tem um potencial enorme, são mais de 200 milhões de habitantes e uma classe média que continua crescendo. Nessa linha, acreditamos que o Brasil vai voltar a crescer e, quando retomar, nós estaremos muito melhor preparados”, aposta Koga.



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