Sua empresa gera quantos empregos?

Se o Brasil não for competitivo, ficaremos todos desempregados

Por Júlio César Lamb*

Sua empresa gera quantos empregos?

A atividade de construção civil é sazonal e nômade. Emprega funcionários em tarefas interdependentes e simultâneas com oscilação do número de pessoas que atuam em uma construção durante seu tempo. Por isso, a resposta à pergunta do título é sempre duvidosa e de importância relativa. A missão da empresa é construir edificações, razão pela qual a sua relevância não é determinada pelo número de pessoas que emprega, mas sim pelos edifícios que constrói, pelo conhecimento científico que possui e pelos clientes que atende.

A pergunta certa seria: quão competitiva é sua empresa?

Está na hora de encarar os fatos de frente e assumir que o Brasil e suas empresas são as menos competitivas do mundo. Usam muitos recursos, sejam eles materiais ou humanos, para fazer menos coisas do que é feito nas nações mais desenvolvidas. As palavras “produtividade/competitividade” ainda não foram incorporadas ao vocabulário do brasileiro e o cidadão médio não sabe o que elas significam. O aumento da competitividade é absolutamente necessário para continuarmos vivos em um mundo cada vez mais globalizado e produtivo. Embora não seja politicamente correto dizer, o crescimento econômico brasileiro somente acontecerá de forma sustentável quando menos pessoas forem necessárias para fazer mais coisas, sendo esse o objetivo a ser perseguido.

Em ranking de competitividade mundial, os  Estados Unidos estão em primeira posição enquanto o  Brasil está em 56º entre 61 países avaliados. Estima-se que a produtividade média do trabalhador brasileiro seja de apenas 20% daquela do trabalhador norte-americano.  Isso se deve a uma soma de fatores e tem relação com a forma como os países estão organizados.

Nos Estados Unidos, onde o culto ao esforço individual e ao reconhecimento da riqueza obtida pelo mérito, há noção clara de que o Estado serve o cidadão, lá o sucesso é admirado, a aceitação do risco é visto como algo inerente à atividade humana. Essas características  se contrapõem à cultura brasileira onde ninguém é responsável por nada, tudo se espera que seja fornecido e regulado pelo Estado, o sucesso é invejado e onde predominam o igualitarismo medíocre, o paternalismo, as isonomias, os direitos adquiridos, os juros subsidiados, o protecionismo e outros defeitos.

O aumento de produtividade passa por investimentos de capital em estradas, portos, comunicações, máquinas, equipamentos, softwares, independente se de origem pública ou privada. Passa também pela simplificação do país. Não há nação que resista, por exemplo,  aos milhares de cartórios e sindicatos sem soçobrar. Não me refiro ao custo direto, mas àquilo que representam. Com excesso de funcionários públicos, estatais deficitárias e ineficientes o Estado consome 36% da riqueza produzida no país fazendo do setor público o menos produtivo de todos e, ao mesmo tempo, o maior entrave ao crescimento do setor privado. Quem suporta e sustenta?

O aumento da produtividade também passa pelo estrito cumprimento da lei e respeito aos contratos. Os “malandros” que ultrapassam pelo acostamento e os que desrespeitam a lei de responsabilidade fiscal são igualmente criminosos e devem ser punidos. Se isso acontecer, o “custo Brasil” cai, aumenta a competitividade e todos ganham com mais vendas, produção e empregos. E, passa, principalmente pela educação cujo objetivo e método devem ser revistos.

Somos o país com maior número de especialistas em educação do mundo, mas nossos jovens não aprendem a ler, escrever e somar. Milhões de analfabetos funcionais comprovam o fracasso do sistema. Enquanto não houver melhor planejamento, pragmatismo, disciplina e não abolirmos a praga da doutrinação ideológica em nossas escolas, estaremos condenados à estagnação e ao atraso.  Precisamos decidir.

Quanto à questão do título informo: empregamos muito mais pessoas do que empresas similares de países desenvolvidos. Se não implantarmos iniciativas para aumentar imediatamente a competitividade do país inteiro, ficaremos todos desempregados.

*Diretor da Lamb Construções e Engenharia.



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