Para Zeina Latif, 2019 é um ano perdido

Economista-chefe da XP vê desgaste da política com assuntos paralelos

Da Redação

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Para Zeina Latif, 2019 é um ano perdido

A economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif (foto), afirmou que 2019 já está perdido. Ela palestrou para investidores da Attivo Investimentos nesta terça-feira (14) em Porto Alegre. "Teremos desaceleração do crescimento", prevê. "O governo tem muito ruído e muita dificuldade de avançar. Percebo pessoas ali trabalhando com muita dedicação, o [ministro da Economia] Paulo Guedes não está de brincadeira. Mas os erros estão na política. Gasta-se energia com assuntos paralelos e isso acaba trazendo ruídos até no Congresso, fazendo o governo, que era para estar em lua-de-mel, perder batalhas que não eram para ser perdidas", analisou. Fundada em 2009, na capital gaúcha, a Attivo é uma sociedade de agentes autônomos de investimentos, credenciada à XP. 

Para Zeina, o Brasil hoje é muito mais vulnerável a sacolejos nos mercados internacionais em função da crise e da instabilidade política. "Estamos muito mais vulneráveis a acidentes de percurso com a economia tão enfraquecida. Com custos fixos elevados e queda na demanda, o empresário não consegue aguentar, porque não tem gordura para queimar”, destacou. Mesmo ante a instabilidade política, Zeina crê que a reforma da Previdência vai ser aprovada. Mas guarda dúvidas de quando e em quais termos. "Temos muita pressão de sindicatos, do funcionalismo público. Mas que bom que a sociedade está tendo esse debate", avaliou. "Precisamos de um cenário permanente de reformas. Em seguida da Previdência, que é só a base, precisamos discutir a reforma tributária, temas difíceis de aprovar sem capital político", disse. 

Zeina também descreveu o cenário para investimentos diante de tantas barreiras a vencer. "Não estou dizendo que o Brasil é terrível e que todo o dinheiro precisa sair daqui. Estamos no meio do caminho. Então, o momento é de diversificar investimentos, para garantir rentabilidade e se proteger de instabilidades no mercado. Mas precisamos avançar. Sem a aprovação da reforma da Previdência, temos o colapso. E nesse caso, ninguém ganha", avalia.


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