Grupo Sanmartin inaugura centro de Inovação no Sul

CDI funcionará como laboratório para Brasil, Argentina e México

Por Eugênio Esber

eugenioesber@amanha.com.br

Grupo Sanmartin inaugura centro de Inovação no Sul

Com um investimento inicial de R$ 10 milhões, e aporte adicional de mesmo valor previsto para 2020, o Grupo Sanmartin inaugurou na sexta-feira (29), em Caxias do Sul, seu primeiro Centro de Desenvolvimento e Inovação (foto). Especializado no fornecimento de equipamentos industriais, especialmente para fabricantes de bebidas, o Grupo Sanmartin fará do CDI um laboratório de pesquisa e desenvolvimento destinado a apoiar não apenas a planta de Caxias do Sul, em operação desde 1976, mas também a unidade localizada na cidade argentina de Mercedes, onde a companhia foi fundada em 1948, e ainda o complexo fabril que mantém em Mérida, no México, desde 1979. 

Curiosamente, o investimento foi desenhado em reuniões de planejamento estratégico conduzidas em meio aos solavancos de 2015, no auge da recessão brasileira. “Apesar da recessão, a indústria 4.0 é um caminho sem volta e as empresas vencedoras devem ter velocidade e eficiência na inovação de seus produtos e serviços”, acredita o CEO da empresa, José Bernardo Sanmartin. “Sempre acreditamos no potencial do Brasil. Até nos momentos difíceis”, afirmou Bernardo, ao Portal AMANHÃ. “Pensamos que os tempos difíceis estão chegando ao fim e queremos estar bem preparados para a retomada do crescimento.”

Nascido há 45 anos em Mercedes, a cidade onde o avô Manuel Sanmartin fundou a companhia, Bernardo estudou Administração na Argentina e se radicou definitivamente no Brasil em 1998, quando foi enviado pelo pai à Serra Gaúcha para tomar pé dos negócios da família. De assessor da diretoria a gerente, foi-se apegando à vida em Caxias do Sul e em 2005 recebeu a missão de ser o diretor executivo da operação brasileira do grupo argentino. Hoje, comanda 400 funcionários na missão de manter a Sanmartin como fornecedora de referência de equipamentos como lavadoras de garrafas, entre outros itens destinados à indústria de alimentos e, principalmente, às fábricas de bebidas na América Latina. 

“O significado do Centro de Desenvolvimento e Inovação para a Sanmartin é aumentar a eficiência e velocidade e nosso processo de P&D. É ter o olhar mais apurado para o futuro”, resume Bernardo, indicando que a companhia buscará um trabalho de convergência e colaboração com clientes, universidades, fornecedores e outras instituições.  A ordem é acelerar: o percentual do faturamento destinado a investimentos de várias finalidades deve mais do que dobrar, passando da média de 4% da receita para cerca de 10% em 2019 e em 2020. “Acreditamos que nestes momentos, quando novas tecnologias com grande potencial estão avançando velozmente, devemos ter mais foco em inovação.” Em 2019, mais de 20% do faturamento virá de produtos desenvolvidos nos últimos três anos, e Bernardo prevê que este percentual deve aumentar progressivamente. 

No CDI recém-inaugurado, trabalham inicialmente 25 pessoas, entre pesquisadores, engenheiros e técnicos. O plano de investimentos prevê que, em um primeiro momento, o CDI somente abrigará o Robotic Solution Team, voltado ao desenvolvimento de soluções que utilizam robótica e outras tecnologias associadas. Com a incorporação gradativa de outras áreas de pesquisa, em dois anos o efetivo que trabalha no CDI deve chegar a 50 pessoas. “Um de nossos diferenciais na forma de trabalho”, explica Bernardo, “é o de ter um time heterogêneo”. Profissionais com grande experiência no mercado trabalham em cooperação com uma nova geração de colaboradores que, segundo ele, “está totalmente adaptada às últimas tecnologias disponíveis no mercado”. 

A TecnoUCS, da Universidade de Caxias do Sul, apoiou a Sanmartin em várias etapas, inclusive na construção da metodologia de P&D e o desenvolvimento de novos materiais. O plano da companhia é expandir gradativamente estes acordos de colaboração com outras instituições, inclusive no exterior. E, ainda, estreitar o relacionamento com os principais clientes para a cocriação de soluções que aumentem eficiência e reduzam custos.  ernardo não informa qual é o faturamento da companhia, mas projeta, para 2019, resultados melhores que os de 2018 – que ele considerou “positivos”.


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