Usina Santa Terezinha pede recuperação judicial

Companhia paranaense tem uma dívida de R$ 4,6 bilhões

Da Redação

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Vista aérea da Usina Santa Terezinha

A Usina Santa Terezinha (foto), também conhecida como Usaçúcar, entrou com pedido de recuperação judicial na quinta-feira (21) após um revés nas negociações com bancos credores. A companhia tem uma dívida financeira estimada em R$ 4,6 bilhões, a maior parte em dólar (US$ 900 milhões). A informação foi veiculada pelo site do jornal Valor Econômico no início da tarde desta sexta-feira (22). A Usaçúcar é a maior companhia sucroalcooleira do Paraná e uma das dez maiores do país.

De acordo com a publicação, a Santa Terezinha pediu recuperação judicial ao descobrir que o banco Votorantim, ao qual deve cerca de R$ 150 milhões, havia entrado com três pedidos de execução na Justiça. “Uma das ações, que pedia a execução de R$ 40 milhões, chegou a ser executada via BacenJud. A usina é representada no processo pelo escritório Thomaz Bastos, Waisberg, Kurzweil Advogados. A execução da dívida pelo Votorantim pegou a empresa paranaense de surpresa, já que ela estava prestes a assinar um acordo de renegociação dos termos de sua dívida com 18 bancos credores – entre eles o próprio Votorantim –, após mais de um ano de negociações”, relata a reportagem. 

Segundo o Valor, a Santa Terezinha acordou informalmente com os bancos o não pagamento de juros e do principal da dívida enquanto negociava a reestruturação dos pagamentos em 2018. Agora, com o pedido de recuperação judicial, as negociações terão de recomeçar do zero. “A dívida da Usina Santa Terezinha é basicamente com bancos. Segundo uma fonte próxima à companhia, praticamente não há pagamentos em atraso com fornecedores nem impostos vencidos, e atrasos com credores trabalhistas são pouco representativos. Nesse período em que não realizou pagamento aos bancos, a Santa Terezinha manteve seus investimentos em capital de giro e em bens de capital, segundo uma fonte próxima à empresa”, destaca a matéria assinada pela jornalista Camila Souza Ramos. 

A empresa vem enfrentando problemas com falta de cana para ocupar a capacidade de suas unidades de produção diante de adversidades climáticas em sua região de atuação desde 2015. “De suas 11 usinas, três não operaram na safra 2018/19. A empresa processou 14 milhões de toneladas de cana neste ciclo, mas já chegou a moer 18 milhões de toneladas na safra 2016/17. Para a temporada 2019/20, que terá início em abril, a Santa Terezinha também suspenderá a moagem na Usina Moreira Sales. A cana da região de atuação da unidade será direcionada para a Usina Tapejara. A companhia também detém o controle de dois terminais portuários (Pasa e Álcool do Paraná) e da CPA Trading”, detalha o Valor Econômico.

O jornal lembra ainda que, recentemente, a Santa Terezinha realizou mudanças em sua estrutura de governança para profissionalizar, sobretudo, a gestão operacional. “Alguns membros da família Meneghetti, dona da companhia, saíram da diretoria e executivos de mercado foram contratados. Também foram formados clusters de produção, integrando as atividades operacionais de usinas geograficamente próximas”, recorda a reportagem. A companhia já havia feito uma renegociação de dívidas em 2016, evitando na época o caminho da recuperação judicial em um momento em que várias outras empresas do segmento estavam trilhando essa via.


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Marcio

Lamentável.

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