O "crash" da bolsa chinesa está apenas começando, afirmam analistas

Esforços do governo têm sido em vão

Por Infomoney

O "crash" da bolsa chinesa está apenas começando, afirmam analistas

A bolsa de Xangai tenta se recuperar da forte queda da quarta-feira, quando recuou 5,9%. Nesta quinta-feira (9), o principal índice chinês fechou com fortes ganhos de 5,7%, com seu maior ganho diário em seis anos. A alta acabou influenciando as demais bolsas da região. O índice Hang Seng, de Hong Kong, subiu 3,7%, enquanto o Nikkei 225, de Tóquio, registrou valorização de 0,6%. Em Seul, o Kospi subiu 0,6% fechando em 2.207 pontos.

Na quarta-feira (8), as ações chinesas chegaram a cair mais de 8%, mas encerraram o pregão em queda de 5,9%, a 3.506 pontos, apesar dos esforços do governo chinês para limitar as perdas. Nas últimas três semanas, o índice já caiu mais de 30%. Para o mercado, a pressão vendedora deve continuar, uma vez que grande parte dos ativos negociados nas principais bolsas por lá tiveram suas negociações suspensas, numa tentativa de estabilizar a Bolsa.

Somente na quarta operadores se desfizeram de US$ 15,8 bilhões de ações comprados com dinheiro emprestado na Bolsa de Xangai, enquanto 1.331 ações tiveram suas negociações interrompidas nas bolsas continentais chinesas, segundo dados da Bloomberg. Para analistas, a queda não vai cessar, mesmo com toda a intervenção do governo chinês. "Está claro que o governo chinês tem feito o melhor e tem falhado. O que significa que a direção de Xangai e Shenzhen e outras bolsas é para baixo", afirmou o colunista Howard Gold, do MarketWatch em uma reportagem divulgada nesta quarta.

O alerta não vem somente dele. No início da semana, o Morgan Stanley, famoso por ser otimista com a China, rebaixou a sua exposição ao país de overweight (exposição acima da média) para equal weight (exposição em linha com a média). Esse é o primeiro corte desde novembro de 2008. Eles acreditam que o índice de Xangai pode ir para baixo dos 3.250 pontos em meados do ano que vem, o que daria um potencial de queda de 7% do patamar atual. A corrente foi acompanhada também pelos analistas do Citigroup que disseram a seus clientes que o "sell-off" [quando investidores optam por vender rapidamente os ativos que possuem em determinado momento] das ações chinesas terá um longo caminho. "Eu acredito, mas penso que poderá ser muito, muito mais baixo", antevê Howard Gold.

Para ele, a Bolsa chinesa poderá voltar aos patamares de 2007. O sinal de alerta veio quando Xangai bateu os 5.000 pontos e reverteu. A máxima de todos os tempos foi alcançada em outubro de 2007, quando atingiu mais de 6.000 pontos. Ou seja, para Gold, há uma tendência de queda de oito anos no mercado chinês.

Esforços em vão do governo chinês
A China está novamente no centro da questão nos mercados de commodities, mas agora de uma maneira negativa. A forte queda no mercado de ações do país e os temores ante a crise econômica da Grécia ajudaram as commodities a atingir mínimas em vários anos, sufocando uma nascente recuperação do petróleo e do minério de ferro. Esse cenário puxou para baixo as ações de companhias do setor e também as moedas das nações produtoras. A tendência baixista se intensifica enquanto o governo chinês tenta frear, em vão, as quedas.

Ao longo do tenso fim de semana, o governo avaliou várias medidas para conter o frenesi de venda que fizeram o índice Shanghai Composite desabar 29% em três semanas. Corretoras, gestores de fundos e um braço de investimento do governo se comprometeram a comprar ações, novas ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês) foram suspensas, as cotas de ações estrangeiras aumentaram e o banco central prometeu fornecer liquidez para ajudar os investidores a pedir dinheiro emprestado para comprar papéis. As medidas talvez contenham o pânico no curto prazo, mas alguns economistas alertam que também podem encorajar outra bolha de ativos se não forem implementadas com cuidado.

Novas medidas
O Ministério de Finanças informou que não venderá ações de empresas listadas e que pedirá às instituições financeiras estatais que não comercializem papéis em subsidiárias listadas, em meio à forte volatilidade recente nas bolsas do país. Em comunicado, o ministério declarou que incentiva empresas financeiras estatais a aumentar suas participações em subsidiárias listadas cujo valor de mercado ainda esteja abaixo de níveis "razoáveis".  

A agência reguladora de valores mobiliários da China também proibiu que acionistas com participações superiores a 5% vendam seus papéis nos próximos seis meses, numa tentativa de conter uma queda nos preços das ações que está começando a perturbar os mercados financeiros globais. A China Securities Regulatory Commission (CSRC) afirmou em seu site na noite de quarta que tratará com severidade qualquer violação da regra. A proibição também parece se aplicar a investidores estrangeiros que detêm participações em empresas listadas nas bolsas de Xangai ou Shenzhen, embora a maioria de suas participações seja inferior a 5%.



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