Nova Zelândia: o que é um supremacista?

Os tais supremacistas brancos – ou de qualquer etnia – são a quintessência do ridículo e do atraso

Por Fernando Dourado Filho, de Locarno (Suíça)

De cara, devo dizer que a premissa deste artigo está redondamente equivocada. Mesmo assim, vou prosseguir com ele até o fim. Afinal, como é que posso anunciar logo no título uma digressão sobre uma pergunta para a qual não tenho uma resposta aceitável? Sim, pois afinal, o que é um supremacista branco? Imagino que seja um imbecil de quatro costados, acossado por complexos de toda ordem, seriamente perturbado mentalmente e, por conta de todos esses fatores combinados, um pobre diabo vulnerável a discursos oportunistas que pregam o ódio.    

Para quem ainda não atinou para o fato, vamos ao contexto. Ontem, um australiano matou 49 pessoas numa mesquita na Nova Zelândia e, pelo pouco que sei, feriu outras tantas. De acordo com os informes escassos, a besta-fera engoliu a isca de que os muçulmanos – que representam apenas 1 % da população do país – estariam na origem do desemprego e da eventual deterioração da qualidade dos serviços públicos. Sonhando com a algum tipo de glória, o assassino tomou para si a missão de salvar a civilização ocidental e atirou em muçulmanos inocentes. 

A Nova Zelândia é um dos mais belos países do mundo. Não há quem a visite e não pense de imediato em como seria bom viver lá. Trata-se não somente de um cenário idílico situado na contramão das grandes rotas do mundo, como também de um enclave de paz e harmonia onde vive uma gente simpática e acolhedora. À parte umas sacudidas que a terra dá por lá, em função de ocasional atividade sísmica, todo o mais inspira serenidade, convivialidade e comunhão com a natureza. Eis então que o ódio mal comprado num balcão da extrema-direita desequilibra o tal pacto. 

Os tais supremacistas brancos – ou de qualquer etnia – são a quintessência do ridículo e do atraso. Ainda semana passada, descendo a Via Veneto, em Roma, vi um casal de muçulmanos passear a poucos metros à minha frente na rua deserta, então açoitada pelo vento. Logo atrás, um italiano apontou-os para mim e um casal de amigos, e fingiu disparar no ar um tiro contra eles, ao que se seguiu um risada debiloide. "Belo imbecil", disse o amigo Luiz Eduardo Coelho, legitimamente indignado, que estava comigo. Foi um destes que cobriu de luto um dos mais belos países do mundo. 

Aos tais supremacistas, meu receituário seria bem simples: estudem, se ilustrem, aprendam, se mediquem e, quando for o caso, tomem um Viagra para debelar eventuais frustrações. Se nada disso resolver, deem um tiro em vossas próprias cabeças, na solidão de seus quartos imundos e solitários. Se quiserem buscar bom efeito, liguem as câmaras e façam um "live" do estouro de seus miolos. Vocês são o rebotalho do mundo, e a escumalha que se alimenta do ódio de outros tantos que se lhes são em tudo assemelhados. Para vocês, o inferno ainda é pouco. 


Mesmo porque, pensando bem, no inferno vocês já vivem. 



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