Brasileiros perderam 53 bilhões de milhas em 2014

Pode ser ruim para o cliente, mas significa mais rentabilidade ao acionista

Por Infomoney

Brasileiros perderam 53 bilhões de milhas em 2014

Se você não vê motivo para converter suas milhas em passagens aéreas, a Smiles (SMLE3) tem razões de sobra para agradecer. Cada milha não utilizada vira receita para a companhia sem despesas. Se toda essa milha perdida fosse aplicada em títulos públicos, por exemplo, livre de risco e a uma taxa Selic de 13,75% ao ano (patamar atual), já seria um bom motivo para sorrir à toa, não?

Um levantamento do Banco Central mostrou que os brasileiros deixaram 53,4 bilhões de milhas de programas de fidelidade expirarem em 2014 por falta de uso – uma soma que equivale a 24% da pontuação conquistada naquele mesmo ano. O número é também o dobro do percentual verificado em 2010, primeiro ano em que a pesquisa foi feita pelo BC. 

Claro, o número compila todos os programas de fidelidade, mas, no caso específico de uma das mais rentáveis empresas do setor na Bolsa, a Smiles, os pontos esquecidos e perdidos pelos participantes (conhecido pela taxa de breakage) responderam por 16,5% da receita da companhia até março. A receita no período com esse "desperdício" de pontos somou R$ 24,5 milhões. 

Com um case que tem se mostrado acertado, as ações da companhia respondem por esse sucesso em Bolsa. Enquanto o Ibovespa avança no ano 2,8%, as ações da empresa disparam 21%. A Múltiplus (MPLU3), administradora de programas de fidelidade da TAM, que também opera da mesma forma também ganha com isso. No ano, os papéis da companhia sobem 22,9%. Este é o segundo ano seguido de alta dos papéis. 

Mas não é só com acumulo de pontos perdidos que a empresa ganha. A receita depende de três fatores: o spread, que é o que elas ganham com a diferença entre o que recebem dos parceiros pelas milhas administradas menos o que pagam para eles pelas passagens quando o cliente resgata o benefício; o float, que é o que as administradoras ganham deixando o dinheiro das milhas aplicado antes do resgate; e o breakage, que é o lucro obtido quando o cliente deixa de resgatar as suas milhas, fazendo com que a companhia tenha só receita sem despesa com as milhas deste consumidor em particular. 

Segundo os dados do BC, 17% das 992 bilhões de milhas que os brasileiros acumularam em seus cartões de crédito entre 2010 e 2014 não foram resgatadas. Tudo isso se tornou receita nas mãos destas companhias pelo "breakage". 


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