Accor planeja abertura de sete hotéis no Sul

Bandeiras ibis e Mercure serão prioridade do grupo francês

Por Karine Menoncin, de São Paulo (SP)

karine.menoncin@amanha.com.br

Patrick Mendes, CEO da Accor América do Sul

O excesso de oferta no Sul não é um inibidor para novos negócios da rede hoteleira Accor, detentora de 4,8 mil hotéis, resorts e residências em 100 países. A previsão é abrir sete hotéis, contabilizando um total de 925 apartamentos, até 2022. Os empreendimentos fazem parte do plano de abertura de 13 novos estabelecimentos nos próximos anos, sob as bandeiras ibis, ibis budget, ibis Styles e Mercure. A Accor não abre o valor dos empreendimentos, já que cada unidade conta com diferentes investidores. O anúncio ocorreu durante a coletiva de balanços e perspectivas realizada na última terça-feira (12), em São Paulo. 

Com um crescimento de 7% do RevPar (receita por quarto disponível), a menor taxa entre as regiões brasileiras, os três estados do Sul passam pelo oversupply gerado pela criação de novos quartos no período da Copa do Mundo. “O Sul, especialmente Porto Alegre e Curitiba, não retomou tão forte por excesso de oferta, aos moldes do que aconteceu em Belo Horizonte. Sentimos a retomada econômica, já que temos hotéis essencialmente no ramo de business, o que mais alavancou os números”, explica Patrick Mendes, CEO da Accor América do Sul. Hoje, a Accor trabalha com ocupação de 56% a 57%. “Um hotel só é rentável a partir de 65% de ocupação”, aponta. Os melhores resultados foram obtidos em São Paulo, com alta de 20% no RevPar e na região nordeste, com 15%. Hoje, a empresa opera 308 hotéis no Brasil, com cerca de 50 mil quartos. 

Em nível global, a empresa faturou € 3,6 bilhões no ano passado, crescimento de 16,9% frente a 2017. A retomada da atividade econômica brasileira foi responsável pela recuperação dos balanços da rede em toda a América do Sul. O RevPar da região subiu 12,3%, e o EBTIDA cresceu 22,8%, comparado a 2017.  Ao todo, 52 hotéis abriram as portas, na região, o segundo maior crescimento global logo após a Ásia. Para este ano, o grupo quer inaugurar 20 hotéis em todo o país – além de intensificar a rentabilidade dos negócios com restaurantes, bares e locação de espaços para eventos corporativos. Líder no mercado brasileiro, o grupo aposta em marcas midscale e de luxo, que hoje representam quase metade dos 45 novos contratos firmados na América do Sul, sendo 23 apenas no Brasil.

Mesmo com resultados 30% abaixo dos obtidos em 2008, o grupo francês aposta no Brasil como um destino turístico de grande escala. “Hoje, todos falam que o setor representará um emprego em cada dez. Eu diria que será um emprego a cada cinco. Por isso é preciso ter uma agenda específica para a nossa indústria, pois será um grande provedor de tributos, empregos”, estima Mendes. “Os políticos estão tomando consciência disso. Ter um Ministério do Turismo pleno, com poderes, com verba, com foco e visibilidade, é fundamental. É um sinal que o Brasil está passando da infância para a adolescência na conscientização de que o turismo é a indústria do futuro” completa.

O CEO ressalta a necessidade de se melhorar a infraestrutura brasileira para atrair novos perfis de turistas, como os clientes de resorts. “A abertura de resorts não depende somente de nós. Ela é completamente dependente da melhoria na malha aérea, rede de transportes, segurança no país”, explica. No Sul, a Accor prevê a abertura de um novo empreendimento no segmento lazer em Itajaí (SC).


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