Tsipras fala em acordo sem repetir mesmos "erros do passado"

Grécia detalhará propostas de reforma

Por Agência Brasil

Tsipras fala em acordo sem repetir mesmos "erros do passado"

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras (foto), disse nesta quarta-feira (8), perante o Parlamento Europeu, que acredita que será possível alcançar, até ao final da semana, um acordo justo com os parceiros europeus, que não repita "os erros do passado”.

Durante debate no hemiciclo de Estrasburgo sobre a cúpula extraordinária da zona euro, Tsipras garantiu que o objetivo do seu governo não é “procurar o confronto com a Europa” e indicou que vai apresentar, nos próximos dias, propostas concretas e detalhadas de reformas a implementar no país, com vista a um terceiro programa de ajuda. Na cúpula, realizada na véspera em Bruxelas, foi estabelecido um prazo limite até domingo (12) para ser fechado um compromisso entre Grécia e credores.

No entanto, salientou, as soluções a serem encontradas devem ser “socialmente justas e economicamente sustentáveis, sem repetir os erros do passado, que levaram a economia grega a um ciclo vicioso de recessão”, pois esse é também o mandato que resultou do referendo do domingo passado , no qual o povo grego deu “uma resposta corajosa” – de Não à última proposta das instituições – “apesar dos bancos fechados e das campanhas aterrorizantes”.

Assumindo a responsabilidade pelos últimos cinco meses e meio desde que assumeiu o cargo de primeiro-ministro, Tsipras sustentou que todos devem “reconhecer que a responsabilidade básica do impasse em que a Grécia e a zona euro estão neste momento não se deve apenas aos últimos cinco meses e meio, mas aos últimos cinco anos e meios, com programas que falharam” e que não distribuíram de forma equitativa "o fardo” dos sacrifícios.

“As propostas do governo grego não serão concebidas para serem mais um fardo para os contribuintes europeus”, disse, lamentando que “até agora” o dinheiro emprestado à Grécia pelos seus parceiros (no quadro dos dois programas anteriores de resgate) nunca tenha chegado aos cidadãos comuns, às mulheres e homens gregos, tendo antes sido utilizado “para salvar bancos”.

Já o presidente do Conselho Europeu e das cúpulas do euro, Donald Tusk, sublinhou que está diante de uma “corrida contra o tempo”, pois “a realidade é que só restam quatro dias para se alcançar um acordo definitivo”.

“Tenho evitado falar em datas-limite, mas a verdade é que a data-limite é esta semana”, disse Tusk. Alertando que um novo fracasso nas negociações conduzirá “ao pior cenário possível”, Tusk advertiu que o fracasso vai “afetar a Europa, do ponto de vista geo-político”, e quem acreditar que  esse não é o caso, “é ingênuo”.

Resgate
O Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM), o fundo de resgate da zona do euro, confirmou que recebeu um novo pedido por parte da Grécia. Autoridades gregas haviam afirmado na terça-feira (7) que iriam submeter um novo pedido de programa de resgate de médio prazo ao ESM. O pedido será discutido pelo conselho diretor do ESM, que é composto pelos ministros de Finanças da zona do euro e presidido pelo representante da Holanda, Jeroen Dijsselbloem.

A Grécia pediu, formalmente, um programa de resgate de três anos e se comprometeu a começar a implementar algumas das reformas econômicas demandadas pelos credores a partir do começo da próxima semana. Uma proposta detalhada de acordo deve ser apresentada nesta quinta-feira (9).


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