ECB construirá planta de combustíveis renováveis

Com aporte de R$ 3 bilhões, projeto prevê usina no Paraguai

Da Redação

redacao@amanha.com.br

Governo do Paraguai e  ECB Group assinam memorando

O governo do Paraguai e o ECB Group, holding de investimentos do empresário brasileiro Erasmo Carlos Battistella, assinaram nesta segunda-feira (25) um memorando de entendimento para dar continuidade ao plano de investimentos do grupo no país. O maior deles, o complexo Ômega Green, com aporte estimado em mais de US$ 800 milhões (cerca de R$ 3 bilhões), abrigará a primeira planta de combustíveis renováveis de segunda geração do Hemisfério Sul. Serão produzidos diesel renovável (HVO, sigla em inglês para Hydrotreated Vegetable Oil) e querosene renovável (Synthetic Paraffinic Kerosene, ou SPK) para aviação civil e militar, com potencial de atração de capitais internacionais e adição ao Produto Interno Bruto (PIB) paraguaio estimado em mais de US$ 8 bilhões ao longo de uma década.

O Ômega Green terá capacidade de produção diária de até 16.500 barris de diesel e querosene renováveis, volume suficiente para atendimento de mais de um terço do consumo paraguaio de diesel fóssil. A maior parte dessa produção será voltada à exportação para países signatários do Acordo de Paris, que precisam acelerar a redução das emissões de gases de efeito estufa por meio da substituição dos derivados de petróleo. Essa diminuição da importação de diesel e aumento das exportações de produtos com maior valor agregado trará um impacto muito positivo para balança comercial do Paraguai.

O complexo industrial vai gerar mais de 3 mil empregos durante sua construção e 2,4 mil empregos diretos e indiretos durante a operação, além do aumento da renda para agricultores locais. Ao todo, serão beneficiadas mais de 10 mil famílias, por meio de programas de certificação social da produção familiar. Em reunião (foto) no Palácio de Los López, o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, declarou que o governo dará todo o apoio possível ao projeto e destacou o quanto o país tem trabalhado para facilitar investimentos que promovam crescimento econômico e social. Mario Abdo Benítez afirmou que a estratégia do Paraguai é ser uma referência em logística e ambiente favorável aos investimentos.

O Ômega Green é inovador não só por introduzir os combustíveis renováveis no Hemisfério Sul, mas principalmente pelo processo produtivo que o torna um empreendimento sem paralelo em termos de sustentabilidade. Sua produção terá como insumos principais somente produtos orgânicos e renováveis, como óleo de soja produzida em áreas sem passivo ambiental e obtido através da extração com uso do hexano renovável, gordura animal reaproveitada, óleo de cozinha reciclado e hidrogênio totalmente obtido por meio da eletrólise da água – e não pela reforma de gás natural. O complexo será alimentado exclusivamente por energia de fontes renováveis. “Nosso objetivo é ter a produção de biocombustíveis avançados mais limpa e renovável possível, sem igual no mundo, certificada pelos mais rigorosos critérios internacionais de qualidade e sustentabilidade”, detalha Erasmo Carlos Battistella, presidente do ECB Group. 

De acordo com o empresário, um dos maiores produtores de biodiesel do Brasil e com duas décadas de atuação nos setores agrícola e de energias renováveis, o Paraguai reúne condições únicas para a viabilidade econômica e a sustentabilidade do projeto. “Trata-se de um país com significativa oferta de energia e água para a produção do hidrogênio, potencial de crescimento da safra de soja, oferta de outras matérias-primas para os biocombustíveis e ambiente de negócios e logística muito favoráveis”, explica Battistella. “Hoje é um dia muito importante. Concluímos os estudos de viabilidade do Ômega Green e vamos à segunda fase, a etapa do projeto executivo. Queremos começar as obras ainda em 2019”, exalta o empresário. A implementação da planta tem duração prevista de 30 meses, e a intenção é ter plena capacidade produtiva a partir de 2022. A planta terá 400 funcionários diretos e 2 mil indiretos. 

Toda a estrutura industrial do complexo será fornecida pelos líderes mundiais no fornecimento dessas tecnologias e equipamentos, como a Crown Iron Works em extração e tratamento de óleos vegetais, a ThyssenKrupp em eletrólise e a Honeywell UOP no hidrotratamento, em um empreendimento único no continente. Além de propiciar uma redução anual de 1,3 bilhão de toneladas nas emissões de dióxido de carbono (CO2) pela substituição dos combustíveis fósseis, o Ômega Green contará com soluções projetadas especificamente para fortalecer o quesito da sustentabilidade, como a geração de vapor a partir de biomassa e o tratamento da totalidade de rejeitos e subprodutos, tornando o complexo totalmente sustentável e certificável nos mais rígidos protocolos internacionais. A unidade será instalada às margens do Rio Paraguai e contará com um terminal logístico rodoviário e portuário, com escoamento da produção por hidrovia.

Fundado em 2011, o ECB Group é uma holding do setor de agroenergia comandada pelo empresário Erasmo Carlos Battistella, um dos maiores produtores de biodiesel no Brasil, com 20 anos de atuação no campo e nas energias renováveis, e presidente do Conselho de Administração da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio). O portfólio do ECB Group inclui a RP Energia (investimento e gestão de hidrelétricas e parque eólico); a Lavoro (distribuidor John Deere); a RP Bio Switzerland (subsidiária internacional do grupo); e a RP Bio, detentora de participação na joint venture BSBIOS, em parceria com a PBIO (Petrobras). Líder do mercado em 2018, a BSBIOS foi a primeira empresa brasileira a exportar biodiesel e mantém relações comerciais com 32 países.


comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: