Calote ou vitória da democracia?

Eis cinco opiniões sobre os possíveis cenários depois do "não" dos gregos

Por Infomoney

Calote ou vitória da democracia?

A vitória avassaladora do "não", com 61% dos votos totais no referendo do domingo (5), a um acordo que previa mais austeridade por uma nova rodada de injeção monetária para a recuperação da economia da Grécia mexe com os mercados neste começo de semana. O fato traz bastante incerteza sobre o que deverá ocorrer com o calote heleno. A ousadia dos eleitores propõe a necessidade de mais discussões no maior bloco econômico mundial ao desafiar a União Europeia sobre o que poderá ser feito com países em situação semelhante à da economia hoje comandada pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras (foto).

Eleitores gregos votam contra proposta de credores internacionais


Para encaminhar uma volta às mesas de negociações, o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, indigesta figura a muitos players na troika (União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) renunciou ao cargo para destravar o diálogo. O futuro ainda é incerto. Ainda não se sabe até onde os credores aceitarão negociar ou se o caminho será para um bloco sem o berço da democracia.

Tentando entender um pouco melhor os efeitos desse cenário e as hipóteses futuras, o Infomoney compliou a percepção de agentes do mercado. Confira a seguir.

"Grécia: ou será deixada à deriva ou muda o jogo europeu"
Para Francisco Petros, colunista do blog Na Real, o resultado do referendo representa uma espécie de ultimato de guerra e põe em cheque o conceito de "união" sugerido pelo nome do maior bloco econômico do planeta. Segundo ele, a questão deixou de envolver apenas gregos, para ter reflexos latentes sobre o futuro de portugueses, espanhóis e irlandeses na zona do euro. As expectativas de Petros são de que uma Grécia à deriva seria um barco incômodo, que, como Ulisses, poderá demorar a chegar, mas o seu retorno pode mudar a realidade vigente (clique aqui para conferir a coluna na íntegra). 

"O oxi da Grécia e seus reflexos no Brasil"
Fernando Zilveti, professor livre-docente em direito tributário pela USP, traz alertas para as consequências desse turbulento momento na economia globalizada. No texto, ele defende que "os mesmos que hoje criticam e ameaçam a Grécia de exclusão e perda total de crédito forçaram o ingresso na zona do euro de países sem a menor condição de conviver com a austeridade". Segundo ele, contexto similar seria visto em outros países já citados. Os efeitos dessa nova crise deverão afetar tanto as moedas fortes como as mais fracas. No caso do Brasil, isso não poderia ter ocorrido em momento pior. Ao final, o professor compara a situação da dívida grega com a brasileira (clique aqui para conferir a coluna na íntegra). 

"Se correr o Hércules pega, se ficar o Minotauro come"
Rachel Sá, editora do blog Terraço Econômico, fez uma didática apresentação do drama grego, remetendo ao período em que se iniciaram os empréstimos ao país para sua recuperação econômica, cinco anos atrás, até a convocação de referendo e o anúncio de feriado bancário uma semana antes da votação a fim de se evitar uma crise de solvência das instituições financeiras gregas. Depois, Rachel expõe as consequências que projeta para o impasse confirmado pela vitória do "não" dominical. "Nessa situação, é prudente manter os ouvidos atentos e um pé atrás em relação a qualquer um dos desfechos", aconselha (clique aqui para conferir a coluna na íntegra). 

"Não da Grécia é tentativa de virar o jogo político da Zona do euro"
Vítor Oliveira, colunista do blog #épolítica, fala sobre as incongruências entre os conceitos econômicos e políticos que envolvem a união monetária europeia. Segundo ele, "qualquer que fosse o resultado da consulta, a única certeza que os gregos tinham é que de que as condições econômicas e sociais serão duras nos próximos anos. (...) Os eventos na Grécia iluminam um caminho de aprofundamento da democracia, especialmente quando as decisões envolvem custos sociais tão pesados", sublinha Oliveira (clique aqui para conferir a coluna na íntegra). 

"Esqueça a Grécia. A maior ameaça é a China"
Na contramão de todas as discussões, Leandro Ruschel, fundador da Escola de Trades, defende que teria passado despercebido um crash no mercado asiático nas últimas semanas. "O principal índice do país, o Shangai Stock Exchange Composite Index caiu praticamente 30% desde o seu topo em 5.200 pontos em meados de junho", alertou (clique aqui para entender o que está por trás desse movimento). 


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